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domingo, 30 de setembro de 2012

#Divagando: Traduttore traditore

Pois é, demorei horrores para postar de novo, mas cá estou eu voltando para falar sobre um dia muito especial que é pouco conhecido - e valorizado, infelizmente - pelas pessoas. Para quem não sabe, hoje, 30 de Setembro, é comemorado o Dia do Tradutor (cheguei meio tarde, já que o dia está quase terminando, mas antes tarde do que nunca, certo?).


O título deste post faz uma menção a uma velha expressão italiana que diz que todo tradutor é um traidor, uma vez que seu texto não conseguirá ser totalmente fiel ao texto original, já que é comum que sejam encontrados termos que não existem de uma língua para outra, logo o tradutor precisa encontrar meios para traduzir tal termo mesmo que não represente exatamente o que o autor do texto original quis dizer. Isso acontece o tempo todo, as línguas não possuem correspondentes exatos.

Alguns estudiosos dizem que uma tradução é um novo texto, pois o tradutor, quando traz o texto da língua estrangeira para a sua, está colocando todo o seu conhecimento de mundo ali, como se fatores externos o ajudassem a traduzir. Mas, obviamente, as ideias não são deles, o que vai entrar, de fato, no texto são suas escolhas de palavras, adequadas de acordo com o seu gosto. Portanto, nenhuma tradução será igual.

Antes de tudo precisamos entender que uma língua está inteiramente ligada com um costume e uma crença, em outras palavras, com uma cultura. Sendo assim, já imaginou como é complicado imprimir uma outra cultura à sua? A função do tradutor é exatamente essa: de trazer a cultura do outro para a nossa.

O trabalho de um tradutor perpassa o conhecimento da sua língua materna e da língua estrangeira. Como já falado, um tradutor é o ser que liga culturas diferentes e une povos distantes. Se você pensa que isso é algo fácil de fazer, pode tirar o seu cavalinho da chuva, porque está longe de ser fácil. Além de ser um trabalho que pede por atenção, paciência, pesquisa e muitas vezes horas perdidas de sono, é algo fascinante, encantador e minucioso.

São Jerônimo, um dos primeiros a traduzir a Bíblia.

Sem os tradutores não teríamos um terço de todo material estrangeiro que chega ao nosso país. Seria difícil assistir a um filme ou a uma série, ler um livro ou um manual de instruções, e muitas e muitas coisas em outras línguas. O papel do tradutor é essencial, ainda mais agora em que a interação ao redor do mundo cresceu de forma exorbitante com o avanço da internet.

É uma pena que, ainda assim com todos esses fatores positivos em relação a esta profissão, o tradutor não seja valorizado. Quantas vezes as pessoas olham o nome do tradutor de um livro? Aliás, o nome do tradutor vem bem pequeno, dentro do livro e não na capa. É claro que o autor do livro é o que chama mais a atenção, pois foi ele quem escreveu as ideias daquele livro, mas o tradutor também merece receber os créditos e ter um pouco mais de destaque. 

Fora a falta de valorização e a dificuldade em se trabalhar com tradução, o tradutor passa por inúmeros outros obstáculos. Às vezes o tradutor tem que ir atrás quando acha que alguma coisa é importante de ser traduzida, às vezes sofre com problemas de direitos autorais, outras vezes recebe condições péssimas de trabalho e, para piorar, é substituído por pessoas incompetentes ou por tradutores automáticos. E aí, você ainda está achando que traduzir é fácil, meu amigo?

Eu poderia passar horas aqui falando sobre tradução, pois este é um assunto que muito me fascina, mas como não quero fazer vocês se entediarem com meu texto, vou encerrar por aqui. Estou pensando em preparar outro post sobre o assunto, só que isso ficará para um outro dia. Fiquem agora com algumas ótimas frases sobre tradução:

"A tradução não é apenas uma questão de palavras: é uma questão de transformar toda uma cultura em inteligível" - Anthony Burgess

"Uma Tradução, por mais que deixe a desejar, é e sempre será uma das atividades mais importantes e dignas de relacionamentos dos povos" - Wolfgang Goethe

"São os autores que fazem as literaturas nacionais, mas são os tradutores que fazem a literatura mundial" - José Saramago

"Para ser tradutor, imagino que seja preciso acreditar que o conhecimento das culturas do país de origem e do nosso são fundamentais. A tradução é uma ponte entre duas culturas" - Lia Wyler

Feliz Dia do Tradutor!

Beijos :)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

#Divagando | A graça de ser sem-graça

Nina, da novela "Avenida Brasil"
Imagem: NaTelinha.com.br

Menina tímida, meio excluída, sem muito sal, pouca determinação, com problemas familiares e de autoestima baixa e quase inexistente. Já perceberam que nove entre dez mocinhas da literatura ou de telenovelas são praticamente assim? Elas passam a trama toda sofrendo, querendo atingir seus ideais e sair de seu casulo, passando por várias obstáculos.

Você sabe que elas são aquele tipo de garotas sem nenhum atrativo aparente, são tão comuns que até dói e, do nada, todos os caras mais bonitos do pedaço estão caidinhos por elas, como se de uma hora para outra elas tivessem mudado. E você também sabe que elas não mudaram, são as mesmas de sempre, mas sabe-se lá por quê os rapazes começaram a olhá-las com outros olhos.

Essas mesmas meninas sempre se colocam para baixo e se descrevem como normais, nem bonitas e nem feias. E elas sempre se apaixonam pelo menino mais inalcançável de todos e ficam suspirando pelos lados, perguntando-se o motivo de serem tão sem graça de forma que ninguém se interessa por elas. Isso pode funcionar muito bem na literatura, no cinema e na televisão, mas na vida real é bem diferente, não é? Talvez esse estereótipo da mocinha sem graça, sofredora e bláblá wiskhas sachê, deve ser uma constante para aproximar as garotas mais românticas da história e, assim, ocorra uma identificação mais rápida. Aí eu me pergunto: Será que não pode haver uma mocinha determinada, forte, divertida e que não tenha uma autoestima tão inferior? A protagonista pode ser até forte, porém no fundo ela tem um probleminha consigo mesma. Então qual é a graça nisso tudo?

Para ilustrar esse post vejamos a Nina - protagonista da novela "Avenida Brasil" -, que é sem-graça, faz um monte de burradas, veste-se mais "joãozinho style" para ficar invisível e tem três homens caidões por ela. Para os mais noveleiros como eu, fica a pergunta: O que tem de mais nessa menina? Ela é tão cheia de burrices que dá vontade de meter o tapa e, o mais engraçado de tudo, é que ao mesmo tempo fica aquela vontade de torcer para que ela se dê bem, por mais chata que possa ser.

De mocinhas sem sal e açúcar o mundo da literatura e do entretenimento está cheio por aí. Faltam-me dedos para contar as muitas Ninas, Isabellas e outras mocinhas lerdas que eu não me lembro no momento.

Qual a mocinha mais sem-graça que você já leu/assistiu? Deixe um comentário me respondendo! \o/

Beijos :)

P.S: Gostaram do novo layout do blog? Decidi mudar agora enquanto estou de férias, rs. Se alguém notar algum erro, me avise.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

#Divagando | A influência da literatura estrangeira

Imagem: We Heart It.com

Dando uma volta por sites de algumas editoras, percebi como alguns jovens autores brasileiros possuem a forte influência da literatura estrangeira na sua maneira de escrever e de situar suas tramas. Os personagens possuem nomes estrangeiros, há termos estrangeiros, os lugares são estrangeiros... Tudo é estrangeiro, não há quase nenhuma identificação brasileira.

Por que aquele personagem que estuda numa universidade norte-americana não pode estudar numa universidade brasileira? É careta? É sem graça? Não tem a mesma "magia"? E por que aquele personagem não pode possuir características brasucas? É feio? Não chama a atenção?

É claro que cada um faz o que quiser com a sua história, afinal, é sua mesmo. Mas não seria bem mais fácil escrever sobre a realidade e a cultura em que o próprio autor está inserido? Os leitores não se sentiriam mais próximos dos personagens, tendo uma identificação muito mais rápida?

Acredito que é inevitável não ter a influência da literatura estrangeira, ainda mais com a internet, porém ainda sou dessas que pensa que seria fantástico se os autores pegassem essa influência e dessem uma cara mais brasuca, fazendo um releitura daquela realidade para a nossa. Há alguns escritores que fazem e fizeram isso, como o português Eça de Queirós, por exemplo, que escrevia com perfeição sobre a realidade da sociedade portuguesa do século XIX. Apesar de muito citar obras de outros países e até mesmo mostrar que preferia mil vezes outras culturas do que a sua, ele não deixava de unir a cultura portuguesa com as culturas inglesa e francesa. Ele sabia misturá-las e dar uma nova cara, fazendo o seu próprio estilo de escrita. 

Isso me fez lembrar do movimento modernista no Brasil, que pregava a "Antropofagia", termo que nada mais queria dizer: "Pegue aquilo de bom que há lá fora e traga para a nossa realidade. Não ignore a literatura estrangeira, mas também não a imite!". Claro que não com essas palavras, mas bem próximo a isso.

O que eu quero dizer é: Por que tentar se igualar tanto com a forma de escrever dos gringos? Se igualando dessa forma, os livros ficam cada vez mais parecidos, sem muitas novidades - por mais que os enredos sejam distintos - e com zero de originalidade.

Parece que os livros com mais cara de brasileiro são aqueles que pretendem atingir um público infanto-juvenil. Mesmo que eu só tenha passado perto desses livros algumas vezes, eu pude perceber a grande aproximação que eles têm com a nossa realidade - a começar pelos nomes e lugares onde as histórias são ambientadas.

Enfim, esse foi só mais um post feito para meus devaneios malucos. Talvez alguém concorde comigo, talvez não. Estamos aqui para discutir.

Então, me diz aí: O que você acha?

Beijos :)

quarta-feira, 9 de maio de 2012

#Divagando | Vampiros, anjos e bláblá

Imagem: We Heart It.com

Parece que depois que a Saga Crepúsculo ganhou seu espaço e virou fenômeno, as editoras começaram loucamente a publicar livros sobre vampiros, de tal forma que chega a exaustão de tanto ver livros sobre o mesma tema e com enredos parecidos nas prateleiras das livrarias. Claro que antes mesmo de "Crepúsculo" existir, já existiam milhares de autores consagrados com obras que falavam sobre vampiros. A única diferença é que essas obras possuíam leitores bem seletos, logo não era todo mundo que lia. Hoje não. Todo mundo lê sobre vampiro e isso é um prato cheio para as editoras.

Com isso tudo, os autores começaram a se sentir mais livres para escrever um enredo que envolvesse o mundo adolescente com o sobrenatural e/ou mitologia, já que há um público grande para tal, fazendo então surgir uma nova "vertente" tão forte quanto os vampiros... Os anjos. E pior: as capas dos livros e os enredos são parecidos, com a única diferença é que as mocinhas não se apaixonam perdidamente e possuem um caso de amor impossível por vampiros, mas sim por anjos - que ninguém sabe serem anjos, apenas a protagonista descobre este segredo.

É sempre a mesma coisa. A mocinha é uma menina perdida ou bem esperta, conhece o anjo em alguma situação da vida, eles passam por aventuras (*insira aqui a voz do narrador da Sessão da Tarde*), se apaixonam e bláblá whiskas sachê. Já posso dormir?

O que eu posso dizer com propriedade é que inúmeros livros sobre anjos foram publicados de, pelo menos, três anos para cá. Não lembro de já ter visto algo sobre isso anteriormente, só sei que eu vejo muito hoje em dia, tanto que até enjoa. Se não é isso, a protagonista tem poderes sobrenaturais.

Veja bem: em nenhum momento eu abomino a existência de tais livros, o que quero colocar em questão é o fator originalidade. Parece que ultimamente o que mais se tem por aí é um enredo do estilo "menina apaixona-se por menino estranho e misterioso" ou "menina tem poderes sobrenaturais e precisa descobrir o valor da vida". Entenderam aonde quero chegar?

Apesar disso tudo, estou aberta para ler novos livros. Ainda não li nada sobre anjos pelos fatores comentados acima, mas já pretendo ler algum para ver se minha opinião muda ou se continuarei a bater na mesma tecla.

E você aí, o que acha?

Beijos :)

sábado, 14 de abril de 2012

#Divagando | Você está na moda?

Imagem: We Heart It.com


Olá, você que me lê!

Há um tempo eu li uma reportagem muito interessante que falava sobre adaptar as tendências da moda ao gosto pessoal. Serve bastante para te fazer pensar e reavaliar a sua relação com a moda. E como o "Dicas ou Travessuras" também falará de assuntos relacionados a isso, achei que esta seria uma ótima oportunidade para mostrar o texto aqui, neste segundo post do blog.

Vamos lá!

(P.S: As partes em negrito foram grifadas por mim)

Você está na moda? 

Mais do que vestir as últimas tendências, é preciso adaptá-las ao seu estilo.  
(Por Ingrid Pipólos)
Moda significa tendência de consumo da atualidade, e para muita gente o sonho de estar antenado se materializa vestindo-se 'à maneira' do que mercado impõe. Mas, para estar na moda, é mesmo preciso se vestir conforme o que dita os grandes desfiles, das grandes marcas e dos grandes estilistas?
Não necessariamente, dizem os especialistas. Moda é um padrão, um norte a partir do qual cada um deve criar o seu estilo, a sua própria identidade. Uma produção requer uma grande dose de sensatez, o que traduzido significa que o conjunto de peças a ser escolhido em seu guarda-roupa pode se transformar em uma bela obra ou num grande fracasso. 
Para a jornalista Kenny Teixeira, 29 anos, moda é atualidade com padrões que são capazes de expressar sentimentos vividos em uma determinada época. "Sou alguém que se preocupa em estar sempre bem: bem vestido e bem feliz. Além disso, um sapatinho novo com o salto da moda e dois ou três vestidinhos nos tons da estação não fazem mal a ninguém", define-se, com bom humor. Kenny também lê revistas de moda e sempre sai de casa para dar aquela voltinha no shopping em busca de novidades. 
A turismóloga Fernanda Oliveira, 26 anos, já não é tão ligada assim com tendências. Ela compra o que dá no bolso, não consome revistas sobre o assunto, mas gosta de estar bonita para o marido. "Para mim, tem que ser amor à primeira vista. Preciso mostrar quem sou quando visto algo. É como se eu pudesse mostrar minha personalidade através do meu look", diz. 
Para o empresário Raimundo Moreira, à frente da marca Via Direta, o mercado da moda exige elementos de criatividade e competitividade que a globalização impõe à sobrevivência das empresas em todo o mundo. "Moda é uma fantasia em constante metamorfose, não para jamais", ressalta. Portanto, antes de sair para qualquer local e ocasião, é totalmente indispensável checar se estamos de acordo com o objetivo e em completa harmonia com o tipo físico
Estilo é eterno
Moda passa. Estilo é eterno. Essa é a regra que deve imperar quando uma mulher se veste de acordo com a sua idade. O que importa não é o que está nas páginas da revista ou no personagem da novela, mas sim no estilo pessoal. A mulher deve vestir o que é apropriado para o seu corpo, figura, gostos e anos
Usar uma camisa vermelha aos 35 anos não tem o mesmo peso que aos 18, nem investir em uns sapatos de salto aos 40 como quando se tinha 25 anos. As tendências devem se adaptar à pessoa e não o contrário. O que não falta hoje é acesso a informações que ajudam a compor o visual. Altos, magros, gordinhos e baixinhos, todos têm produtos para o seu biótipo, basta sempre estar atento para não pecar por excesso. 
Escrava da moda
Muitas mulheres têm segurança suficiente para parecerem sofisticadas sem exagerar. Uma mulher bem vestida não precisa de etiquetas nem seguir a moda das passarelas. Quando a mulher se torna escrava do consumismo das vitrines, é provável que esteja faltando algo em seu senso de identidade, temerosa de que, caso não esteja de acordo com determinado estereótipo, não será aceita pelos outros, e por isso acaba se preocupando mais com o que os outros pensam do que com sua própria vontade. Estar na moda, nesse caso, é uma forma de assegurar que ela está fazendo a coisa certa. 
Lacan, referência em psicologia, já dizia que "a fonte de todos os desejos é o desejo de ser desejado sempre". O que, de acordo com a psicóloga Nathália Batista, significa que todo ser humano sente a necessidade de ser desejado, seja nos aspectos intelectuais, morais, físicos e comportamentais, que é onde entra a moda. 
"A busca incessante pela realização desse desejo é constante, cabendo a cada um lidar com os seus limites internos para que não se torne vulgar ou desalinhado com a ocasião. Lembrando que a vestimenta é só uma ferramenta de transmissão do que representa a pessoa", destaca a psicóloga. 
Fonte: Revista Diário - Jornal Diário do Pará - 11/03/2012, Belém-PA. Ano: IV, nº 300.

Essa reportagem conseguiu captar perfeitamente o meu pensamento, faço dessas palavras as minhas.

E você aí, o que achou? Deixe um comentário falando algo a respeito!

Beijos :)