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sábado, 7 de julho de 2012

#Livro | On the Road - Pé na Estrada


Assim como eu disse que teria muito o que falar sobre o livro "As aventuras de Robinson Crusoé", de Daniel Defoe [veja o post aqui], eu também tenho muito o que falar sobre "On the Road", mesmo porque os dois se assemelham no fato de falarem sobre jovens procurando por novas experiências para achar o sentido de suas vidas. E não só por isso. O livro de Kerouac foi importante para uma geração e muitas histórias legais aconteceram por trás e por causa deste livro, desde o modo como ele foi escrito, passando pelas influências que deixou até a dificuldade encontrada para que fosse traduzido brilhantemente aqui no Brasil. É de uma importância sem tamanho.

Antes de começar a falar sobre as minhas impressões do livro, devo explicar um pouquinho sobre a geração beat que está tão presente nesta obra e que é a grande linha de pensamento. Aos que nunca ouviram falar, a Geração Beat foi um movimento de contracultura que questionava os valores, pensamentos e a política da sociedade americana pós-segunda guerra. Os intelectuais que lideraram esse movimento eram, em grande maioria, boêmios e nômades que prezavam pela liberdade. Deste movimento surgiram os hippies, os punks e muitos outros, e foi o carro chefe para o acontecimento do famosíssimo festival de Woodstock anos mais tarde, para vocês verem como foi um grande marco. Até mesmo os Beatles, surgidos após esse período, tem esse nome graças ao "beat" do movimento. 

"On the Road - Pé na Estrada", escrito em 1951 por Jack Kerouac, fala sobre a história de Sal Paradise, um jovem escritor norte-americano que já estava cansado de sua vida pacata e decide viajar estrada a fora para experimentar novas coisas. O principal motivo de sua viagem é Dean Moriarty, um rapaz problemático, ávido pelo conhecimento e de espírito livre, que dá a Sal todas as sensações de liberdade que ele nunca teve. De carro eles atravessam os Estados Unidos, passando pela famosa Rota 66, conhecem pessoas dos mais diversos tipos e passam por experiências regadas a drogas, bebida, sexo e muito jazz, de uma maneira tão forte e visceral até então não vista.

O livro divide-se em cinco partes. A primeira é uma introdução a viagem principal, apresenta a maioria dos personagens e suas histórias e fala sobre a iniciativa de Sal em viajar, mostrando a primeira experiência dele ao se jogar na estrada cheio de sonhos com apenas cinquenta dólares no bolso (que, na época, ainda valia uma boa quantia) e algumas roupas numa sacola. As outras partes falam mais sobre a viagem com Dean e os episódios que aconteceram depois dela. Confesso que só entrei de cabeça na história a partir da parte 2, pois já começa com bem mais movimento do que a parte 1.

Os personagens são maravilhosos e, quando se unem a ideologias daquele período, se tornam ainda melhores e reais - o que são, de fato, pois a história foi baseada nos amigos e nas experiências de Jack Kerouac. Cada um, sendo secundário ou não, tem uma história de vida bem detalhada, que só uma pessoa que conviveu de verdade poderia saber e contar minuciosamente. Eles são um retrato do pensamento mais "moderno" da época pós-segunda guerra, pois ainda que vivam em uma sociedade cheia de puritanismo, eles pensam diferente e não estão nem aí para pudores. As personagens femininas mostram claramente esse lado. Marylou, mulher/amante de Dean, é o símbolo da não inocência feminina. Ela aplica golpes, é tão aventureira quanto qualquer homem e tem uma liberdade sexual muito incomum para as mulheres conservadoras da época. Aliás, todas as personagens femininas são fortes e de personalidade.

É quase impossível não se identificar com algum personagem quando eles buscam tanto pelo direito de ir e vir sem amarras morais. Sal é um rapaz mais centrado, um pouco conservador, as vezes até mesmo solitário, que quer entender as coisas ao seu redor. Dean, em contrapartida, é o lado mais insano, pois é um cara que vive intensamente e está andando de um lado para o outro sem saber onde quer chegar. Ele é daqueles que não se prende a ninguém, nem mesmo a um amigo ou as suas "mulheres" - Dean começa a história casado com Marylou, divorcia-se dela e casa-se com Camille, a quem ele trai sempre que viaja.

Incrível mesmo é ver o que a estrada representa e isso deixa as viagens ainda mais emocionantes de serem analisadas. Ela não mostra apenas a mudança de Sal e Dean à medida que eles conhecem novas pessoas, mas também mostra o lado sujo das pessoas e o que elas fazem para alcançar seus objetivos, é o grande lado podre do famoso sonho americano. As pessoas viajavam quilômetros e quilômetros atrás de uma condição de vida melhor, por igualdades de oportunidade e uma liberdade em diversas áreas. Aqui todos são retratados como normais, aqueles que falam palavrão, gírias, bebem, usam drogas, fazem sexo e levam uma vida boêmia, bem diferente do outro lado "certinho" da sociedade.

A linguagem, no entanto, não é uma das mais fáceis de acompanhar, não por se recheada de pensamentos complicados de entender, mas sim por ter sido construída com um fluxo diferente. Kerouac narra como fala, então é muito comum perceber que ele escrevia de acordo como suas ideias iam fluindo, algumas coisas vão correndo e, quando você se dá conta, já aconteceu muita história.  Isso é uma das características mais fortes dos livros escritos no período do movimento beat. Não há aquela valorização pela escrita certinha, seguindo os padrões. Há uma certa espontaneidade, os parágrafos se perdem um no outro e são grandes - o que mostra que Kerouac não ligava muito para eles, preferia escrever sem interromper sua inspiração. Outra coisa que pode tornar a leitura um pouco mais devagar é que, como Sal fez muitas viagens durante meses, ele conhece várias pessoas e isso pode te deixar meio perdido com tantos personagens. Alguns entram na história e você nem percebe. Mas, à medida que a trama se desenrola, você se acostuma com a forma de narrar de Kerouac.

Também devo apontar um outro fato importante: a tradução. Só de imaginar toda a dificuldade que Eduardo Bueno, o tradutor, teve de fazer para conseguir que o livro fosse publicado aqui no Brasil, eu fico passada e percebo o quanto de dedicação ele colocou ali naquela tradução. Apesar de ele ter preferido deixar a forma original dos diálogos - os diálogos em inglês são feitos em aspas e não em travessões como no português  -, eu vejo o quanto a tradução foi fiel. Cheguei a comparar tradução e original e a essência permaneceu, tão ágil e tocante quanto as palavras em inglês. Eduardo é um grande exemplo para os jovens que gostariam de ingressar nesta profissão.

Eu diria que "On the Road" é aquele tipo de livro que você deve ler aos pouquinhos e "degustar" o máximo que puder. E o que mais gostei foi de poder ver o lado real das pessoas num período tão cheio de mudanças.


Recentemente, a Editora L&PM - que detém os direitos da tradução hoje - lançou uma nova edição do livro, desta vez com a capa do filme e em tamanho convencional. Pois é, o livro ganhou finalmente uma adaptação para o cinema depois de mais de vinte anos que teve seus direitos comprados, com produção de Francis Coppola e direção do brasileiro Walter Salles - famoso por seus filmes rodados na estrada, como "Central do Brasil" e "Diários de Motocicleta".

Aos interessados, o filme estreia aqui no Brasil dia 13 de Julho, com Sam Riley (Sal Paradise), Garrett Hedlund (Dean Moriarty), Kristen Stewart (Marylou), Kirsten Dunst (Camille) e grande elenco. Dizem que a adaptação está muito boa e as críticas, até agora, foram positivas. Quero só ver, porque adaptar uma história tão longa, cheia de viagens e de uma grande importância como esta, não é tarefa fácil para ninguém, ainda mais quando muita gente espera por anos por este filme.

E, para terminar, transcreverei um dos mais célebres trechos do livro que consegue capturar meus pensamentos perfeitamente:

"Mas nessa época eles dançavam pelas ruas como piões frenéticos e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante - pop! - pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos 'aaaaaaah!'" - Página 25.

É isso aí, espero que vocês tenham gostado!

Beijos :)

sábado, 23 de junho de 2012

#Livro | As Aventuras de Robinson Crusoé


Eu teria inúmeras coisas para falar a respeito deste livro, a começar pelo fato de que ele é um clássico da literatura inglesa e foi, inclusive, o livro que deu início ao gênero romance na Inglaterra. Também pudera. Daniel Defoe, autor da obra, além de ter sido importante para a sua época, é considerado o "pai" do jornalismo britânico. Foi difícil dar uma resumida para esta postagem não ficar muito longa, então tentarei destacar os pontos principais para não perder o foco. 

Em "As aventuras de Robinson Crusoé" - ou apenas 'Robinson Crusoé', como visto em outras edições do livro -, escrito por Daniel Defoe e publicado em  1719, entramos numa viagem cheia de crises existenciais e problemas quase impossíveis de serem resolvidos. Robinson Crusoé é um jovem garoto que completou a maioridade há pouco tempo. Ele ainda não sabe bem o que quer da vida, apenas que quer aproveitá-la enquanto há tempo. Por mais que o seu pai fale milhares de vezes que o certo é ter bons estudos e trabalhar honestamente para constituir uma família, Robinson quer mesmo é ver até onde sua vida lhe levaria, por isso muitas discussões entre ele e o pai acontecem. Depois de uma briga com a mãe justamente por causa desses pensamentos "malucos", ele decide viajar com um amigo que estava prestes a embarcar num navio. Com a roupa do corpo e sem se despedir dos pais, ele viaja. A partir desta viagem a vida de Robinson mudará drasticamente.

O navio em que ele estava afunda, porém ele e mais alguns tripulantes conseguem escapar. Essa era a oportunidade para Robinson desistir de uma vez de tentar ser marinheiro, mas ele não se importa e acaba embarcando em outra viagem e esta, novamente, não dá certo. Desta vez o navio é invadido por piratas, que acabam obrigando a todos da tripulação a virarem seus escravos, Robinson incluído. Ele fica trabalhando como escravo por dois anos numa ilha, sempre fazendo planos de escapar. Um dia, por sorte, ele consegue fugir levando consigo um outro escravo, Xury, um garoto mouro.  No meio da fuga eles são resgatados por um navio português, que lhes dá segurança e um emprego. Este navio estava indo em direção ao Brasil, lugar onde Robinson irá, com seu trabalho, conseguir terras boas e aos poucos enriquecer. Só que, mesmo já tendo uma vida estável, Robinson não está satisfeito. Ele quer viver novas experiências, ver o que está além das coisas que já conhece. Então embarca de novo em uma nova viagem, agora para pegar escravos.

No entanto, a viagem desta vez não tem um final muito feliz. O navio bate em um banco de areia e encalha. As pessoas tentam fugir em um bote, mas acabam naufragando e o único que consegue se salvar é Robinson, sabe-se lá como. Ele acaba parando numa ilha aparentemente inabitada e como qualquer um naquela situação, ele fica com medo de encontrar animais selvagens e morrer sozinho ali. Robinson explora a ilha e consegue, com muito esforço, pegar algumas coisas úteis que estavam dentro do navio encalhado. Aos poucos ele começa a criar uma casa, a conhecer mais o local onde iria ficar, a aprender como sobreviver por ali e tudo mais. 

Depois de vários desafios a sua sobrevivência, vinte e poucos anos se passam e Robinson está muito bem, obrigada. Ele já está até se sentindo o dono da ilha e vivendo em paz. Entretanto, certo dia, as coisas pioram. Ele encontra pegadas humanas na areia e percebe que a ilha não era tão inabitada assim, então fica observando para ver se encontra algum movimento e dá de cara com canibais que levavam seus prisioneiros para a ilha e, lá, os comiam. Um dos prisioneiros escapa, Robinson o dá abrigo e depois mata os outros canibais. O prisioneiro fugitivo, que também era um canibal, mas de uma tribo inimiga aos outros que morreram, se sente muito agradecido por ter sido salvo por Robinson e pede a ele para ser seu escravo. Robinson aceita, claro, mesmo porque precisava de uma companhia. Ele dá ao rapaz o nome de Sexta-feira (dia em que eles se conheceram) e a partir disso eles viram amigos e irão passar por outros grandes desafios até serem resgatados, anos depois.

Esta obra é escrita a partir do ponto de vista de Robinson e por muitas partes é narrada em forma de diário, dando a entender que a história está sendo contada depois que Robinson é resgatado da ilha, pois em alguns trechos ele parece conversar diretamente com o leitor.

Surpreendentemente, a linguagem é bastante simples, muito fácil de você se prender a ela. É por essas e outras que a obra é considerada clássica, uma vez que a linguagem consegue ser facilmente entendida durante os anos, ela não se prende apenas a forma de falar da época em que foi escrita. Talvez essa simplicidade tenha acontecido porque, na época em que Daniel Defoe escreveu este livro, a literatura havia passado por um processo de restauração.

Outra coisa surpreendente é a descrição nos mínimos detalhes. Daniel consegue descrever perfeitamente os lugares onde ele nunca esteve - pelo menos não há registro, por exemplo, de ele ter conhecido pessoalmente o Brasil - e isso, naquele período, em que não havia tantas informações sobre os lugares além-mar, era um tanto difícil. Como Robinson fica por muitos anos na ilha, essa detalhação toda acaba ficando por muitas vezes enjoativa, o que deixa a leitura se arrastar em alguns trechos desnecessários. Era como se Robinson estivesse vivendo em um constante marasmo na ilha e isso se mostrasse presente na forma meio repetitiva de Daniel narrar.

A obra não possui críticas políticas estampadas claramente, mas possui críticas à sociedade da época, que era extremamente religiosa e aos poucos estava entrando no capitalismo explorador. O próprio Robinson é a representação disso. Por mais que ele tivesse sentimentos, não deixava de explorar o seu amigo Xury para o seu próprio bem, sempre vendo-o como seu subordinado. Ele explorava até mesmo o seu fiel amigo Sexta-feira. Parece que ao mesmo tempo que o via como um grande companheiro, ele via a necessidade de mudar os costumes do "ex-canibal", uma clara representação do pensamento egocêntrico e até mesmo etnocêntrico. Robinson ensina os princípios cristãs para Sexta-feira e o faz se arrepender de ter um dia comido carne humana. Se isso não é considerar a sua visão de mundo melhor do que os dos outros, eu não sei mais o que é. Outra coisa que mostra Robinson um homem que via no dinheiro o grande prazer da vida, é que ele levou dentro do bolso, depois de pegar algumas coisas no navio encalhado, algumas notas de dinheiro, mesmo sabendo que vivia numa ilha e aquilo não teria serventia nenhuma.

Além disso tudo, o existencialismo e a religião são o que mais aparecem de cara no livro. Robinson vive divagando sobre a vida, querendo entender nossa função neste mundo e se perguntando o que se deve fazer em determinadas situações, por isso ele sempre está num empasse entre o fazer e o se arrepender. Ele nunca parece satisfeito com as coisas que faz. E a religião é no que ele mais se prende para passar seus dias na ilha. Robinson sempre está lendo a Bíblia e se guiando no que esta diz para acreditar que ele irá sobreviver e um dia será salvo daquele lugar, que Deus guardou algo de bom para ele por mais que ele mesmo tenha falhado miseravelmente. 

Para quem se interessou pela história, há vários filmes sobre o livro, sendo o filme "Robinson Crusoé", de 1997 com Pierce Brosnan no papel principal, o mais fiel e famoso de todos. Vale a pena assistir.

Para encerrar este post gigantesco, deixo vocês com uma frase reflexiva muito interessante encontrada no livro: "... Procurando alegrar-me com o que eu possuía e não me desesperar com o que eu não tinha, porque os desgostos que nos avassalam e mortificam relativamente às coisas que não temos são todos frutos da falta de reconhecimento pelo que possuímos".


Espero que tenham gostado!

Beijos :)

sábado, 9 de junho de 2012

#Livro | Sete Vidas


Comecei a ler este livro por pura curiosidade, pois "conhecia" as autoras de outros carnavais, lá do mundo das fanfics. Conhecendo a maneira como elas escreviam naquela época, eu pensei que o livro de estreia seria romance e chick-lit puro, então fiquei meio indecisa se leria ou não, mas decidi arriscar. E bom, eu arrisquei bem. O livro em nada se parece com aqueles romances bobinhos cheios de frescurites e marcas de lojas caras. Pode até conter alguns clichês adolescentes, mas não passa disso.

"Sete Vidas", escrito pelas gêmeas curitibanas Mônica e Monique Sperandio, fala sobre a vida de Aprilynne Hills, uma garota orfã "aprendiz de rebelde" que adora receber desafios e burlar as regras, mas que por dentro nada mais é do que uma menina solitária e carente, que gostaria de ter uma família assim como qualquer orfã. Ela mora no orfanato Joy Lenz, onde divide um quarto com suas amigas Claire e Kaleigh, e passa por poucas e boas nas mãos de Angelique, sua inimiga número um, e da severa diretora Wells. Certo dia, quando perde um jogo de pôquer, é desafiada por Angelique a entrar na floresta assustadora que ronda o orfanato. Como April - como é carinhosamente chamada - não é de dizer não a desafios, coloca uma máscara de corajosa e vai com suas amigas até a tal floresta. Chegando lá, as coisas não acontecem como esperado. As meninas têm que se separar para fugir da diretora Wells que está no encalço delas e April acaba ficando sozinha, indo parar perto de um lago. Do nada, gatos começam a aparecer e a persegui-la. Como ela odeia gatos, acaba se jogando no lago frio na tentativa de despistar a atenção deles. O que ela não sabia era que aquele lago guardava, digamos, um segredo... É no lago que ela vê o corpo de uma menina morta e, desde então, passa a ter certos poderes estranhos, poderes esses que a ligarão a um mundo completamente diferente do dela, que envolve até deuses egípcios.

O livro é contado através do ponto de vista de Aprillyne e a linguagem é bem fácil de acompanhar, é daquelas que te mantém presa ao ritmo da história. Confesso que há algumas construções de frases desnecessárias, uma parte aqui e outra ali que poderia ter sido descartada e alguns vícios das autoras que não foram revisados corretamente, porém isso já é de responsabilidade do revisor que não se atentou a esses detalhes.

O mundo da fantasia está bem presente neste livro e foi a parte mais interessante de todas, o ponto alto de todo o livro e o que me fez ficar ligada a ele. O mistério presente te impulsiona a criar várias teorias para tentar compreender o que se passa. Mais lá para frente você percebe que nenhuma das teorias fazem sentido, pois a história foi bem construída e consegue esconder este suspense de uma forma bem sutil. A parte dos deuses egípcios, que aparece no livro como uma forma de flashback, possui uma riqueza de detalhes muito boa. Algumas coisinhas poderiam ter sido melhor pesquisadas, mas como é uma ficção, eu entendo. Cada um tem a "liberdade criativa" que melhor lhe convém. Só o que posso dizer é que gostei muito dessa parte e fiquei maravilhada como cada fato se relaciona com o outro, desde o motivo de Aprillyne viver num orfanato até a aquela garota morta encontrada no lago - para você entender isso precisa prestar atenção nos mínimos detalhes. Nota dez.

Os personagens são divertidos, mas ainda acho que deveriam ter uma personalidade bem mais construída. Gostaria de saber histórias sobre eles para que houvesse uma ligação maior com eles. Sei que grande parte deles são órfãos, logo, muitos não sabem de onde vieram e nem quem são seus pais, mas ainda assim daria para criar alguma historinha só para as cenas do orfanato terem um pouco mais de ritmo. Um exemplo de personagem pouco construído é Ian, um garoto que April terá um envolvimento no decorrer da trama. Não sei, mas senti que ele era um pouco vago, quase não se sabia sobre a vida dele, só o geral, por isso não entendi a mudança de comportamento dele, achei mal explicada. E falando em Ian, que vem representar o romance do livro quando ele se apaixona por April, achei que as Gêmeas Sperandio deixaram este romance na medida certa, mesmo porque não era o ponto principal da história. Não ficou meloso e enjoativo.

E como não falar da própria April, não é mesmo? Menina decidida e insegura como qualquer adolescente. Ela não é uma personagem chata, que te deixa entendiada enquanto lê, porém é uma contradição. Por muitas vezes fiquei esperando a tal rebeldia dela aparecer e, no entanto, não apareceu. Pode até ser que isso seja a representação da fraqueza de uma adolescente, mas ainda assim esperei pelo "tchan" da rebeldia dela. Não era tão rebelde o quanto eu imaginava, mas, de uma forma geral, gostei dela.

Um fato que me deixou incomodada foi a "americanização" do livro, o que mostra a grande influência que Mônica e Monique possuem da literatura estrangeira. Não estou dizendo que um autor brasileiro não possa escrever sobre uma outra cultura, é claro que pode. O que quero colocar em questão é que, por muitas vezes no decorrer do livro, eu vejo uma confusão entre a nossa própria cultura e a cultura norte-americana. Desta forma, eu ainda acredito que as meninas poderiam ter escrito sobre uma brasileira passando por todas essas situações, afinal, elas teriam toda a liberdade de escrever sobre uma cultura na qual elas mesmas estão inseridas. 

Quanto a capa do livro, está bem bonita assim como a diagramação como um todo. Entretanto, ela não faz nenhuma ligação com a história em si. A trama se passa nos tempos atuais, então a moça da capa deveria estar com roupas mais modernas e não com este vestido da Idade Média. A editora pisou na bola quanto a isso.

E, bem, o livro termina com um "gostinho de quero mais", o que tudo indica que terá uma continuação. Claro que estou curiosa para ler - aliás, a curiosidade é o que mais te faz se prender à história -, pois muitas coisas vêm por aí para desvendar certos mistérios.

Apesar de "Sete Vidas" ser considerado um livro feito para o público juvenil, acredito que daria para encaixá-lo no gênero de literatura infanto-juvenil, pois é uma ótima pedida para introduzir crianças de 10 anos ao mundo da mitologia. 

Esta é a dica de hoje, espero que tenham gostado!

Beijos :)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

#Livro | Pretty Little Liars - Maldosas


Este livro já não deve ser novidade para muita gente, principalmente para quem conhece a série de TV de mesmo nome. Mas como eu sou meio atrasada no quesito "leitura de livros famosos", só tive a oportunidade de lê-lo agora. E já posso até a me atrever a dizer que não pretendo parar de ler as continuações por um bom tempo.

"Pretty Little Liars - Maldosas" é a primeira parte de uma série de doze livros escritos por Sara Shepard. Esta parte nos dá uma introdução para a amizade entre Alison, Emily, Spencer, Aria e Hanna, cinco adolescentes de aproximadamente 13 anos, que moram em Rosewood, uma cidade onde todos parecem viver da aparência. A líder do grupo é Alison, uma garota extremamente mandona, que sempre consegue persuadir as meninas a fazer o que ela quer e é a única que sabe dos segredos mais íntimos de todas. Desta forma, a amizade delas é fincada em segredos em comum e mentiras. Quando Alison desaparece misteriosamente em um certo dia, os segredos das garotas parecem desaparecer também e elas, de certo modo, se veem tranquilas quanto a isso, mesmo que o desaparecimento da amiga as preocupe.

Três anos se passam e nenhum sinal de Alison. A vida das quatro garotas mudou consideravelmente e nenhuma delas mais fala uma com a outra. Emily passou a se dedicar integralmente para a natação; Spencer se "jogou de cabeça" nos estudos e tenta ser a melhor em tudo; Aria foi passar um tempo na Islândia com a família; e Hanna, antes gordinha, emagreceu e agora vive de sua aparência. Tudo vai bem na vida das garotas, até que algumas coisas começam a acontecer para assustá-las.

Assim que Aria volta para Rosewood, todas começam a receber recados de alguém chamado "-A", que diz saber de todos os segredos delas, segredos esses que só Alison sabia. Além disso, "-A" também parece estar vigiando todas elas, pois sabe de coisas que acontecem no presente. As meninas, é claro, pensam que esta pessoa misteriosa é Alison. No entanto, quando alguém supostamente encontra o corpo de Alison enterrado no quintal da casa dela, as meninas percebem que é uma outra pessoa querendo vingança. E é a partir dos segredos, das mentiras e de todo o mistério de "Quem é -A?" e "Quem matou Alison?" que a trama se desenrola.

O livro é escrito em terceira pessoa e cada capítulo é atribuído a uma garota, então dá para ter uma visão ampla da vida e dos medos e receios de cada uma delas. A narração é bem simples, o que deixa a leitura bastante fluída, dá para ler o livro em um dia. No início eu achei as coisas um pouco confusas, pois não há muitas descrições físicas das meninas e as coisas aconteciam rapidamente. Isso me deixou com certa dificuldade de imaginá-las direitinho, ainda mais porque era tantas meninas, mas com o decorrer da história você passa a se acostumar e a ter mais "intimidade" com elas. 

Gostei da forma como Sara construiu a personalidade de cada uma das garotas. Apesar da narrativa ser em  terceira pessoa, como já mencionado acima, dá para notar a sutil diferença de um capítulo para outro na forma como cada personagem vê as coisas. A personalidade delas foi tão bem elaborada, que quando você lê o nome dos capítulos, já sabe de quem ele falará.

Quanto ao mistério que ronda a vida das garotas, eu achei nota dez. Todas as possíveis teorias que você faz em relação a isso se mostram erradas mais lá para frente. Cada coisinha é bem feita, de maneira que você não consegue achar o suspeito mais adequado. O suspense está presente em cada capítulo, fazendo com que você leia loucamente na tentativa de desvendar e descobrir todas as respostas ainda não encontradas. E falando em suspense, eu me arrepiava com cada mensagem de "-A". Era como se esta pessoa estivesse me vigiando também, de tanto que eu absorvi a história.

Já em relação aos segredos pessoais das garotas... Sinceramente? Achei bastante fracos, pensei que seriam muito mais sérios. É óbvio que para meninas tão jovens, os segredos que cada uma guarda são grandes demais para arruinar com a imagem de todas. Por isso eu acho que elas são ingênuas a ponto de se preocuparem com esses segredos. Alguns deles poderiam ser facilmente contornados se não fosse o medo delas. Os únicos mais compreensíveis e que poderiam mesmo trazer consequências sérias, são os segredos de Aria e Spencer. O resto não é tudo aquilo - pelo menos para mim. Entretanto, em relação ao segredo em comum que elas guardam... Esse sim é complicado. 

Adorei a capa do livro e o conceito que traz. Na capa nós vemos uma boneca, a representação de uma pessoa perfeita e facilmente manipulável. As meninas são exatamente isso: vivem da aparência e são manipuladas por causa de segredos que escondem. 

O que eu mais gostei desse livro foi a maneira que Sara encontrou de misturar o mistério e suspense com o mundo adolescente. Não tem personagens enjoativas, tão "fresquinhas" a ponto de deixarem a narrativa maçante. 

E como muitos devem saber, já que é bastante famosa, existe uma série baseada no livro. Ainda não acompanhei direito por pura preguiça, assisti apenas dois episódios para comparar e posso dizer que até está fiel, mas com algumas alterações que não me agradam tanto, como a aparência física de alguns personagens e o fato de terem mudado o tempo que a história se passa. Apesar disso, eu recomendo para quem ainda não tem nenhuma noção da história e quer ficar sabendo. A série é transmitida pelo canal à cabo Boomerang e está em sua segunda temporada, no Brasil - prestes a iniciar sua terceira temporada, creio eu.
Então aqui fico com a dica de hoje. O que você achou?

Não esquece de comentar!

Beijos :)

domingo, 6 de maio de 2012

#Livro | Derby Girl


Escrito por Shauna Cross, "Derby Girl" conta a estória de Bliss Cavendar, uma garota indie de 16 anos, excêntrica, irônica, cheia de personalidade e "boa demais" para morar na sua cidade natal. Ela não vê a hora de poder conseguir a independência e se mudar de Bordeen, cidadezinha no interior do Texas, onde, segundo ela, não há nada para fazer e as pessoas parecem ter parado no tempo. Esse grande marasmo da cidade faz uma ironia ao nome de Bliss que, se traduzido para o português, significa "felicidade plena" - e felicidade é a última coisa que ela tem no meio de tanto tédio.

Ela jura ter sido adotada, pois não consegue entender como pode ter nascido de pais tão "estranhos" e diferentes dela. Brooke, a mãe de Bliss, é uma mulher viciada em concursos de beleza e parece viver da glória de um dia ter se tornado Miss Bluebonnet (garota propaganda da fábrica de sorvete da cidade). Como virou uma tradição as mulheres da família terem um dia conseguido o posto de Miss, Brooke obriga Bliss a participar destes concursos, o que, é claro, não tem muitos rendimentos, já que a menina nunca se esforça para ganhar alguma coisa, diferentemente de Shania, irmã de Bliss, que adora ser paparicada com as frescurites de "mulherzinhas". Brooke é a clara visão daquelas mães que jogam suas frustrações nas filhas e não se importam com a opinião delas. E Carl, pai de Bliss, é um homem sem voz ativa dentro de casa, é o típico pai que parece fechar os olhos para os absurdos da esposa.

Todos na cidade de Bordeen são "certinhos" e seguem as "regras" do modo como elas têm que ser. Bliss é o oposto disso, é claro. A única pessoa que parece com ela é sua melhor amiga Pash Amini, uma árabe-americana estilosa, esperta, inteligente e com os hormônios explodindo, como toda adolescente nesta idade. As duas se completam perfeitamente e se não fossem "impopulares" (esse termo existe mesmo?), seriam o grande destaque da cidade pacata. 

Um dia, quando Bliss vai até Austin (capital do Texas) com sua mãe para fazer compras no shopping, ela pega um panfleto que informa sobre a apresentação da liga de Roller Derby da cidade. Mesmo sem saber muito sobre o esporte, esta parece ser a oportunidade certa para sair do tédio de Bordeen. E é então, desta forma, que Bliss entra no mundo das "derby girls" e finalmente consegue achar um grupo com o qual se identifica e a partir dele pode viver de suas próprias glórias, sem, é claro, antes de passar por muito sufoco e conhecer garotos irresistíveis. 

Para quem não sabe, já que não é muito conhecido, o Roller Derby é um esporte praticado apenas por garotas. Seria uma espécie de patinação, em que dois grupos se digladiam para mostrar resistência. É bem violento e bruto, tem que ter muita força de vontade e coragem para participar, porque além das regras um tanto complexas, o negócio não é fácil e nem para qualquer uma. Apesar da brutalidade, há um toque feminino, que pode ser visto nas roupas estilosas, na maquiagem e nos penteados das garotas. Eu acho muito interessante e adoro o visual das meninas que praticam, mas não me aventuraria a participar, eu sairia quebradinha, rs.

Capa do livro em inglês
O livro tem capítulos curtos e uma narrativa muito fácil de acompanhar, dá para ler num piscar de olhos. É até mesmo uma narração engraçada, parece que você consegue ouvir uma adolescente falar do seu lado. Shauna Cross conseguiu captar certinho o pensamento de uma garota de 16 anos, usando expressões que só uma garota dessa idade falaria. Não tem nada de rebuscamento na linguagem, tornando a leitura bem mais leve. E embora o livro grite do início ao fim ter sido feito diretamente para um público jovem, o que pode fazer com que muitas pessoas o rejeitem, eu ainda acredito que vale a leitura apenas por trazer as impressões sobre o Roller Derby, que mesmo sendo um esporte, traz consigo toda uma cultura e uma maneira de pensar - o que para mim é fascinante.

Logo no início da estória, os diálogos são curtos e bem corridos. Acredito que isso tem a ver com o fato de que a vida de Bliss, aquela altura, não era tão interessante a ponto de ter diálogos consistentes. Porém, mais lá para frente, à medida que a trama se desenvolve, os diálogos começam a aparecer com mais frequência e fazem um link com a vida já agitada de Bliss quando ela se envolve com as "derby girls".

O que diferencia "Derby Girl" de tantos outros livros feitos para jovens, é que a personagem principal, por si só, já é cativante. Ela não é mais uma adolescente que vive naquele mundinho cor-de-rosa repleto de grifes caras e de gente chata, Bliss se destaca por sua "rebeldia". E eu agradeço por isso.

Eu adorei a capa nacional do livro, mas ainda prefiro a capa norte-americana, porque faz ainda mais jus à personalidade de Bliss e do Roller Derby.

Para quem quer saber mais sobre a estória do livro, eu sugiro assistir a adaptação do mesmo para o cinema. O filme foi dirigido pela linda da Drew Barrymore e tem a Ellen Page (Juno) no papel de Bliss Cavendar. No Brasil o filme se chama "Garota Fantástica" (Whip It, em inglês) e foi bem adaptado, com algumas coisinhas diferentes, mas que no final acabam ficando irrelevantes se formos ver que nem sempre é possível adaptar com perfeição. Para mim, a diferença maior mesmo foi que, no filme, Bliss é um pouco parada em relação ao que ela é no livro. Mas, de uma forma geral, eu adorei o filme e o indico também.
Bem, então é isso. Espero que tenham gostado da dica de hoje!

Beijos :)