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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

#Especial de Natal: 3 livros para ler neste Natal

Olá, pessoal!

Como vocês podem perceber, eu fiquei mais de um mês afastada do blog. Não era nem por falta de vontade, o que me faltava mesmo era tempo e paciência para postar. Minha cabeça estava tão cheia de coisas que eu deveria fazer, que sempre que eu chegava aqui para postar, minha inspiração para escrever algo ia embora. Mas agora já estou de férias, então posso dar um pouco de atenção ao blog.

Deixando essas desculpas de lado, vamos ao que interessa...

O Natal está chegando e todos os preparativos que antecedem a ele já estão a todo vapor. Já  que eu não poderia deixar a data passar em branco, decidi fazer um pequeno especial como venho fazendo com outras datas comemorativas. E, para começar, decidi indicar três livros que conheço com o tema Natal.


Cartas do Papai Noel, de J.R.R Tolkien (The Father Christmas Letters) - Todo mundo conhece Tolkien pela famosa série de livros O Senhor dos Anéis, mas não é todo mundo que sabe que este mesmo autor já criou um livro "fofura" destinado principalmente para crianças. Em Cartas do Papai Noel, Tolkien vira o "Bom Velhinho" e escreve cartas divertidas para os seus três filhos. Cada carta traz um toque especial, com imagens ilustrando o que é dito e situações engraçadas e diversas. Tolkien mostra, mais uma vez, que sua imaginação vai mesmo longe, pois ele cria não só o mundo do Papai Noel, mas também dá atenção aos pequenos detalhes, criando, inclusive, uma maneira única de escrever, como se o próprio Papai Noel estivesse escrevendo suas cartas à mão. O livro todo é ilustrado com as cartas originais escritas por Tolkien e os desenhos lindos que ele mesmo fez para os seus filhos. É impossível ler este livro e não voltar a ser criança.




Um Conto de Natal, de Charles Dickens (A Christmas Carol) - Muitos podem não ter lido este livro, mas certamente já ouviram falar desta história em algum momento, pois ela já foi adaptada para o cinema de diversas maneiras. O livro fala a respeito de um acontecimento inesperado na véspera de Natal de Scrooge, um senhor ganancioso, egoísta, frio e mal humorado que odeia o clima natalino. Enquanto todos saíram para comemorar o Natal, ele fica trabalhando sozinho, afinal de contas, tempo é dinheiro. Neste momento ele recebe a visita de Marley, seu antigo e já falecido sócio, que tenta fazê-lo perceber como sua vida está indo para um caminho infeliz. É então que ele avisa a Scrooge que este receberá a visita de três espíritos: Natais Passados, Natais Presentes e Natais Futuros. É com as coisas que os fantasmas lhe mostram que uma chama acende no coração de Scrooge e ele se transforma num homem bondoso e generoso, que passa a gostar do Natal. O livro traz muitas mensagens boas e te faz refletir como você está lidando com a sua vida, é lindo (por falta de outra palavra) mesmo.


Sonho de Natal, de Emma Darcy (Merry Christmas) - Este aqui é um daqueles romances bobos de banca, com uma linguagem de fácil entendimento e bem corrida, mas que até vale a leitura quando queremos relaxar. Sonho de Natal conta a história de Meredith, uma mulher solitária que teve uma filha na adolescência e a entregou para adoção à Denise, irmã de Kevin (seu casinho de verão), quando soube que Kevin sofrera um acidente e não lembrava de nada que os dois haviam passado juntos. Muitos anos depois, já recuperada deste choque, Meredith recebe a visita de Kevin e descobre que Denise morrera e Kimberly, sua filha, agora estava sob os cuidados de Kevin - que ainda não se lembra dela. Eles combinam um encontro para que Meredith possa conhecer Kimberly pessoalmente. E assim, passando o Natal juntos, eles vão desenterrar antigos sentimentos que sentiam um pelo o outro, mesmo que para Kevin este sentimento pareça novo, pois ainda precisa se lembrar do romance que eles tiveram muitos anos antes.


Com essas pequenas dicas de livros já dá para começar a entrar no clima do Natal, caso você ainda não tenha entrado.

Como apenas conheço estes livros com o tema natalino, se vocês conhecerem outros podem indicar nos comentários, certo?

Beijos :)

sábado, 20 de outubro de 2012

#Livro | Mal Intencionados


E é com imensa alegria que eu venho aqui apresentar as minhas impressões sobre o primeiro livro que li vindo de uma parceria. A autora, Geyme Lechner Mannes, me surpreendeu ao entrar em contato comigo para que fizéssemos uma parceria. Eu já tinha mostrado interesse no livro, mas não o encontrei para compra, então ela ofereceu um exemplar para mim e eu topei lê-lo e depois "resenhá-lo" (entre aspas mesmo, porque não gosto da palavra resenha, prefiro dizer "impressões"). 

Posso dizer, de antemão e livre de puxa-saquismo, que este foi um livro que me cativou desde o primeiro momento que li a sinopse. Eu tinha uma determinada expectativa a respeito dele, principalmente pela carga emotiva e por todo o drama que parecia carregar, por isso fiquei ainda mais surpresa por constatar que a minha expectativa estava ali presente, mas foi superada. Preciso dizer também que resumir este livro foi uma tarefa bastante complicada, pois além de ser difícil falar sobre o enredo sem dar spoilers, muita coisa relevante acontece durante a trama.

"Mal Intencionados" conta a história de Ana, Tomás e Damião, pessoas que tiveram vidas e criações diferentes, mas que na realidade nada mais são do que espelhos e vítimas de suas próprias vidas sofridas e complicadas. A narrativa é em terceira pessoa e dividi-se em partes, passando pelo ponto de vista dos três personagens supracitados, como se o narrador estivesse acompanhando-os em diferentes partes de suas vidas, individualmente.

Ana é uma mulher destemida, que sempre tenta ver o lado bom das coisas, mesmo quando elas estão em um alto nível de complicação, fazendo com que ela não só feche os olhos para alguns problemas à sua frente, mas que também seja um pouco ingênua em certos pontos. Quando ela quer alguma coisa, corre atrás de todas as formas e até se torna obsessiva. Teve uma vida pomposa quando bebê, mas perdeu tudo quando o seu pai foi embora de casa por causa da falência de seus bens. Ela foi criada a vida toda pela mãe, Agnes, e quase não tem lembranças do pai. Talvez por essa falta de ter um homem mais velho para lhe proteger e lhe dar carinho, que anos mais tarde, aos 9 anos, ela se apaixona por Antônio, seu vizinho mais velho, que tem a idade para ser seu pai. Aos 13 anos, quando sua sexualidade está mais aflorada, ela seduz Antônio e os dois começam uma espécie de caso. Ana muda o seu comportamento, tornando-se quase uma mulher em um corpo pouco desenvolvido. Aos 14 anos, ela dá luz a Tomás e casa-se com Antônio. 

Tomás é um garoto franzino, nasceu com problemas de saúde e foi apelido de "filho de rato", pois era muito estranho e pequeno. Justamente por ter uma saúde debilitada, ele criou um laço super dependente e intenso com a mãe e isso, conforme ele se desenvolve, acaba tornando-se um amor obsessivo e muito além do que é considerado fraternal. Ele tem, segundo o que a psicologia classifica, Complexo de Édipo, conceito que explica o amor extremo de um filho por sua mãe e ódio pelo seu pai. Tomás odeia o pai de todas as formas, ele chega até a sentir nojo pelo seu gerador, o garoto simplesmente faz da vida do pai um inferno e diz, com todas as letras, que no seu reino só existe um lugar para o rei e o rei é ele, portanto, seu pai deve ser expulso do reino de qualquer forma. E é isso que acontece. Antônio vai embora por não aguentar mais a hostilidade do filho e a "cegueira" de sua mulher quanto a isso, pois ela é super protetora e sempre passa a mão na cabeça do filho, mesmo quando este está errado. Para Tomás sua vida não poderia estar mais feliz, já que agora está só com a mãe e poderá, quem sabe num futuro próximo, até casar-se com ela. Mas toda essa felicidade acaba quando Damião, seu novo padrasto, chega para usurpar seu trono.

Damião é o que podemos considerar um ogro: homem grande, grosso, estúpido e homofóbico. Cresceu dentro de um lar onde todos o menosprezavam e o tratavam como um ser inferior, por isso não faz ideia de quão forte pode ser. Sua mãe sonhava em ter um filho religioso, então querendo ganhar a atenção e o amor pelo menos uma vez, ele vira ajudante do padre de uma igreja de sua região. Este padre, por um lado, não tinha lá suas boas intenções e abusou diversas vezes de Damião, sempre alegando que aquilo era algo sagrado e significava amor. Damião viu, pela primeira vez, que podia contar com a ajuda de alguém, o padre parecia ser o seu único amigo, desta forma, mesmo sentindo que o que fazia não era certo, ele se permitia ser abusado. Já crescido e sem a companhia do padre, ele virou, em poucas palavras, um abusador. Fugiu várias vezes de cidades por ter sido acusado de atacar e abusar de algum garoto. Ele é cheio de conflitos e não consegue compreender a si mesmo, sendo assim, faz com os outros tudo o que um dia fizeram com ele. É um ser contraditório, que não gosta de gays, mesmo gostando de ter relações sexuais com garotos. Ao mesmo tempo que ele quer valorizar uma boa moral, ele faz tudo ao inverso.

Os personagens principais têm suas histórias de vidas bem definidas e comportam-sem do início ao fim de acordo com a proposta do livro. Alguns personagens secundários também são importantes e responsáveis por determinadas mudanças nos outros personagens. Este é o caso de Antônio, já citado, e Maria Molambo, uma garota pela qual Tomás irá se apaixonar e mudar de comportamento, deixando um pouco de lado aquele amor obsessivo pela mãe. É por causa de Molambo que ele vira um garoto melhor.

A realidade no livro é despida, descrita de uma forma nua e crua, totalmente direta. Os personagens são tão reais que você certamente pode encontrá-los em algum lugar da sua cidade. Não são pessoas idealizadas, mascaradas da realidade, clichês demais, para que você se sinta entediado com eles. Pelo contrário, eles trazem sensações diversas. Algumas vezes você sente compaixão por eles, por tudo o que eles passaram de ruim, e em outras vezes você quer que eles paguem por todo o mal que causaram. Quando vemos a relação de Ana e Tomás, por exemplo, é impossível não pensar em uma maneira de melhorar o que foi negligenciado o tempo todo, é como se você quisesse consertar a situação daqueles pobres personagens.

Geyme conseguiu reunir maravilhosamente bem, em uma única história, vários assuntos polêmicos e de uma forma que foge do que já é esperado. Enquanto lemos, não sentimos aquela sensação de que o autor se estende na polêmica para surtir um efeito provocador, de uma forma que você sente que ele está forçando demais e desnecessariamente. Em "Mal Intencionados" isso não acontece. A polêmica se mistura com os personagens de tal forma, que parece algo comum - e é, na verdade, a polêmica só está nos olhos daqueles que não querem discutir esses assuntos por bobagem. Reunir conteúdos como pedofilia, pederastia, fanatismo religioso, amor obsessivo, homofobia e muitos outros, não é uma tarefa fácil. Mas Geyme fez a lição de casa e conseguiu. Aliás, ela escreve de um jeito tão gostoso de acompanhar e constrói a personalidade dos personagens tão bem, que a leitura flui sem dificuldade alguma. Gostei bastante da forma como ela narra e descreve. Simples, forte e ao ponto.

O psicológico dos personagens foi a parte mais bem estruturada no livro, dá até para fazer uma espécie de análise psicológica profunda deles, parece que você está em uma sala de terapia tentando compreender os motivos que levam uma pessoa a fazer escolhas erradas, levando em consideração suas vidas e tudo o mais, pois muitas de nossas escolhas são influenciadas por todo o histórico de nossa vida. Isso acontece porque é impossível não analisar a conduta, o comportamento, as virtudes e a moral como um todo. Outra coisa muito bem construída foi o pano de fundo histórico, há até uma contextualização com alguns fatos ocorridos no Brasil, como o crescimento da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), o impeachment de Collor e outros assuntos.

O livro em si, com sua história, linguagem, personagens e envolvimento, não peca em momento algum, o que deixou a desejar mesmo foi a revisão do texto. Muitas palavras precisando de acentos, uma e outra colocada no lugar errado ou com um errinho de ortografia. Mas isso foi um problema enorme por parte da editora, que além de ter feito um serviço muito fraco de revisão, agiu de má fé e fez um trabalho ruim de impressão. O meu exemplar mesmo veio com algumas páginas faltando. Geyme publicou seu livro de forma independente, contratou uma editora para que fizesse todo o trabalho "material" (diagramação, revisão e essas coisas), mas na hora de receber os livros, recebeu vários exemplares com páginas faltando, letras manchadas, folhas menores do que outras e muitos outros problemas. É triste ver que esse pode ser o preço a pagar por querer publicar um sonho.

Não é qualquer um que pode ler este livro. Eu recomendaria para pessoas com a mente aberta e que têm o gosto por novas discussões, desconsiderando preconceitos e algo do tipo. 

Abaixo eu transcrevo o trecho que eu achei mais significante de todo o livro, pois serve para diversos momentos da nossa vida:

"... depois da ignorância, o excesso é maior pecado da humanidade! Creia, mas não ao ponto de habitar o reino das mulas. Creia, mas não ao ponto de transformar sua fé em circo, sem perceber que você é o bobo do evento..." - Página 81

Pois é! E eu ainda acrescento: não deixe que as suas crenças se tornem absolutas, de forma que você não aceite e nem respeite pensamentos contrários aos seus. Ninguém é um todo, ninguém é o senhor da razão. Segure seu argumento sobre as coisas, mas acima de tudo saiba respeitar os outros e não faça piada quando alguém discorda de você. Só uma dica!

Escrevi bastante, eu sei. Não consegui escrever menos do que isso, pois, caso o fizesse, a história seria mais resumida e vocês poderiam não compreender. Foi preciso falar à fundo dos personagens para entender o enredo da trama, senão ficaria sem sentido, uma vez que é por causa das histórias de vida deles que muitas coisas são justificadas em seus atos.

Beijos :)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

#Série | Apartment 23


Eu tenho uma grande "crise de relacionamento" com séries, porque nunca consigo acompanhar no tempo certo e tenho uma enorme preguiça para baixar os episódios. Então demoro anos até conseguir reunir coragem para começar a procurar pelos episódios ou encontrar alguém que já os tenha, por isso até eu me atualizar em tudo leva um tempinho. E, bem, eu não me orgulho nadinha disso, confesso.

Por isso, imagine só o quão feliz eu fiquei em saber que, finalmente, uma das séries de meu interesse foi feita apenas para o outono e, sendo assim, teria uma temporada curtinha e eu poderia baixar e assistir a todos os episódios de uma só vez. Deixando a preguiça para lá, na primeira oportunidade que tive comecei a assistir "Apartment 23" (também conhecida como "Don't Trust the Bitch in Apartment 23"), uma série curta, de apenas sete episódios.


Toda a história gira em torno do tal apartamento 23, cujo qual a dona é uma total megera que adora infernizar a vida das suas colegas de quarto (meninas que dividem as contas do apartamento). A série começa nos apresentando a sonhadora June, uma menina do interior que tem toda a sua vida planejada, desde o trabalho dos sonhos até o casamento perfeito. Sua vida começa a dar uma grande guinada quando recebe um emprego numa importante empresa e consegue alugar um apartamento maravilhoso. Mas, de uma hora para outra, tudo dá errado, pois no primeiro dia de trabalho descobre que a empresa onde trabalharia faliu e seu tão maravilhoso apartamento foi interditado. Sem ter onde ficar, ela vai atrás de um lugar para morar e acaba indo parar no apartamento de Chloe, uma moça aparentemente dócil e normal.

O que ela não sabe, entretanto, é que Chloe não passa de uma megera genuína e dissimulada, que faz de um tudo para se dar bem às custas dos outros, roubando dinheiro das colegas de quarto, mentindo e brincando com a cara das pessoas. Mas June não é uma boba garota do interior como Chloe pensava, pois na primeira oportunidade, já percebendo as intenções nada amigáveis da megera, June inverte o jogo e mostra que também não está para brincadeira e que acreditar em Chloe não será uma das coisas em sua lista a se fazer. Apesar da gritante diferença entre as duas, elas acabam se dando bem e acostumando com o jeito uma da outra.


"Apartment 23" é uma série ágil e divertida, o que me faz lembrar um pouquinho de "New Girl" (da qual eu já falei aqui), principalmente nos tipos de piada e na velocidade em que as coisas acontecem. É uma série com episódios que duram em média 21 minutos, então não se assuste se achar que de repente os acontecimentos estão passando rápido demais, quase não te dando tempo de respirar. Em apenas um episódio a vida dos personagens dá um salto enorme, tudo pode acontecer ao mesmo tempo, não há enrolação. Confesso que algumas piadinhas são jogadas ao léu, mas algumas outras são certeiras e te pegam tão desprevenidamente, que é até difícil não dar uma risada. As várias situações inusitadas protagonizadas por Chloe e June são as responsáveis por essas piadas malucas e inesperadas.

Gostei bastante dos personagens secundários. Há Robin, uma vizinha e ex-moradora do apartamento 23, que tem uma leve obsessão por Chloe, apesar de ainda sentir raiva por tudo o que a megera a fez passar; há Eli, vizinho das garotas, que é um típico forever alone, namora uma boneca inflável e fica espiando as garotas da janela; e também há Mark, um rapaz que tinha tudo para dar certo como um líder em alguma empresa, mas por não conseguir arranjar trabalho em sua área, acaba indo trabalhar como gerente em uma cafeteria, lugar, inclusive, onde June vai trabalhar para pagar as contas.


Uma coisa muito legal e interessante é o fato de que o ator James Van Der Beek interpreta ele mesmo. É muito engraçado como ele consegue zoar consigo mesmo, mostrando como a sua vida se tornou depois que ele trabalhou durante anos na série "Dawson's Creek" (uma série super famosa que levou Katie Holmes e Michelle Williams ao estrelato).  Em "Apartment 23" ele mostra, de forma muito sarcástica, como ninguém o reconhece por nome, mas sim como o seu personagem Dawson Leery, e como ele não consegue mais nenhum outro emprego e nem ir a algum lugar sem que alguém fique perguntando coisas sobre a série anteriormente citada. É divertidíssimo. Ele é um grande amigo de Chloe e ela, do jeito que é, usa a fama e o charme do coitado para conseguir o que quer.

E não é só "Dawson's Creek" que é citada na série. "Apartment 23" faz várias referências à cultura pop, nos diálogos há várias menções a séries famosas, tais como Mad Men, Friends, Lost e Castle. Acho bacana essa metalinguagem.

Em geral, é uma série divertida, não a das mais engraçadas, mas é aquele tipo de série que você corre atrás para passar o tempo e relaxar. Aqui no Brasil, ela é transmitida pelo canal à cabo Fox, as segundas e domingos.

Agora fiquem com uma pequena imagem de quem é quem na série e um trailer para atiçar sua curiosidade:





E aí, gostaram?

Beijos :)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

#Filme | 5 filmes sobre educação

A dica de hoje vai para aqueles que estudam Pedagogia ou alguma licenciatura e gostariam de se tornar professores. Mas, claro, isso não significa que as outras pessoas que não se encaixam nestas categorias não possam ficar interessadas. Podem sim! Aliás, devem, porque os filmes que indicarei a seguir são muito importantes quando pretendemos discutir sobre educação, políticas educacionais e a relação professor-aluno. Em dias em que várias instituições públicas federais estão em greve Brasil a fora, esta discussão deve entrar em vigor.

Logo abaixo vou fazer alguns pequenos comentários com minhas impressões sobre cada filme, apontando alguns fatos que devem ser analisados. Notem que os filmes falam diretamente sobre educação, não são aqueles que possuem apenas uma escola como cenário, mas que mostram claramente discussões que todos professores fazem (ou devem fazer, pelo menos) a respeito de sua profissão.

Título: Escritores da Liberdade
Título Original: Freedom Writers
Diretor: Richard Lavraganese
Ano: 2007
País: Estados Unidos
Sinopse: Quando vai parar numa escola corrompida pela violência e tensão racial, a professora Erin Gruwell (Hilary Swank) combate um sistema deficiente, lutando para que a sala de aula faça a diferença na vida dos estudantes. Agora, contando suas próprias histórias, e ouvindo as dos outros, uma turma de adolescentes supostamente indomáveis vai descobrir o poder da tolerância, recuperar suas vidas desfeitas e mudar seu mundo.
Trailer: AQUI

Passar por cima de sua vida pessoal para se dedicar a sua profissão não é um caminho fácil a ser escolhido, mas foi a única saída que a professora Erin decidiu tomar. Quando começa a se dedicar para dar bons estudos aos seus alunos, ela mostra que o professor não tem só o dever de ensinar, mas também dar o melhor para seus alunos, principalmente se eles estudam em uma escola precária e que praticamente já desistiu deles. É por isso que ela começa a trabalhar dobrado para que, com o trabalho extra, possa comprar coisas que a própria escola não tem o costume de dar. É tanto trabalho que ela vê sua vida pessoal fracassar quando o marido decide ir embora.

Achei incrível como os alunos mudaram assim que passaram a ter contato com a professora Erin. Ela os introduz a um mundo que nenhum deles sequer sonhou existir ou que sequer se interessou. É através da escrita que a professora mostra que seus alunos - antes sem nenhuma perspectiva de vida, já que vinham de conflitos familiares intensos e tinham péssimas notas - podem conseguir várias coisas. Quando eles começam a escrever, percebem que podem sim ter um bom desempenho escolar e que a escrita pode aproximá-los a histórias de vidas diferentes, mas que os façam se identificar com elas.

"Escritores da Liberdade" é um daqueles filmes que não se precisa de muita coisa para ser bom, basta apenas a mensagem que ele quer passar para que você se identifique.

Título: Como Estrelas na Terra (ou Somos Todos Diferentes)
Título Original: Taare Zameen Par
Diretor: Aamir Khan
Ano: 2007
País: Índia
Sinopse: História de uma criança, Ishaan Awasthi, de 9 anos, que sofre com dislexia e custa ser compreendida. Um professor substituto de Artes entra em cena e logo percebe que algo estava pairando sobre Ishaan. Não demorou para que o diagnóstico de dislexia ficasse claro para ele, o que o leva a por em prática um ambicioso plano de resgatar aquele garoto que havia perdido sua réstia e a vontade de viver.
Trailer: AQUI



Já falei bastante a respeito deste filme quando o dei como dica [veja o post aqui], então resumidamente apenas falarei que é um lindo e emocionante filme. Mostra como é ineficiente aquele velho sistema que diz que o professor tem apenas o dever de ensinar e o aluno de absorver o ensinamento de qualquer forma, excluindo suas dificuldades e possíveis problemas que afetam na aprendizagem.

O papel de Nikumbh, professor de Artes que irá ajudar o pequeno Ishaan a ter o prazer de estudar, é exatamente este, de mostrar que o professor não só deve prestar atenção com detalhe em seus alunos, mas também ir além do que propõe fazer em sala de aula. Quando ele percebe que Ishaan tem um péssimo desempenho na escola por ter dislexia, imediatamente começa a criar novos métodos de ensino para que o menino possa entender as matérias da escola.


Título: Entre os Muros da Escola
Título Original: Entre le Murs
Diretor: Laurent Cantet
Ano: 2008
País: França
Sinopse: François e os demais amigos professores se preparam para enfrentar mais um ano letivo. Tudo seria normal se a escola não estivesse em um bairro cheio de conflitos. Os mestres têm boas intenções e desejo para oferecer uma boa educação aos seus alunos, mas por causa das diferenças culturais - microcosmo da França contemporânea - esses jovens podem acabar com todo o entusiasmo. François quer surpreender os jovens ensinando o ensino da ética, mas eles não parecem dispostos a aceitar os métodos propostos.
Trailer: AQUI


Com uma fotografia tão simples, filmado de um modo que quase te faz sentir dentro da escola, este filme mostra um lado mais humano do professor, aquele ser que não "engole sapos" e enfrenta até mesmo os alunos mais perigosos e sem a menor expectativa de melhora. É até mesmo agoniante ver como um professor pode perder a cabeça depois de não aguentar os abusos de seus alunos desobedientes, mas que, ao mesmo tempo, se envolve na vida de seus estudantes a fim de melhorar o desempenho deles.

O filme também mostra quais medidas o professor deve tomar quando se tem alunos tão encrenqueiros e que não possuem o menor respeito por seu professor, e o que fazer quando um aluno está passando por dificuldades dentro de casa e isso acaba refletindo em seus estudos.

Em se tratando do que se deve fazer para melhorar o desempenho do aluno, este filme se parece um pouquinho com "Escritores da Liberdade", pois também foca na prática da leitura e da escrita para que os alunos se expressem melhor para que assim possam se interessar nos estudos.

Título: Pro Dia Nascer Feliz (documentário)
Diretor: João Jardim
Ano: 2006
País: Brasil
Sinopse: As situações que o adolescente brasileiro enfrenta na escola, envolvendo preconceito, precariedade, violência e esperança. Adolescentes de 3 estados, de classes sociais distintas, falam de suas vidas na escola, seus projetos e inquietações. Professores também expõe seu cotidiano profissional, ajudando a pintar um quadro complexo das desigualdades e da violência no país a partir da realidade escolar.
Trailer: AQUI



Neste documentário nos são apresentadas as vidas de jovens alunos em diferentes regiões e classes socias do Brasil e mostra como cada um deles se relaciona com a educação e como fatores externos podem prejudicá-los. Como uma escola precária, despreparada e com professores que faltam sem dar a menor justificativa, pode prejudicar o desempenho futuro de um aluno. Como a violência e as más influências não só dentro, mas fora da escola, também podem desinteressar um aluno a estudar. Como as péssimas condições de trabalho podem desfavorecer a qualidade de um professor, por muitas vezes deixando-o sem a menor motivação para lecionar.

A diferença entre alunos carentes e alunos de classes sociais mais altas é enorme. Enquanto os alunos carentes se preocupam em ter que se esforçar para estudar em escolas despreparadas sem saber para onde o futuro lhes levará (já que muitos saem da escola e não continuam os estudos), os alunos das classes mais altas se preocupam em tirar notas boas para passar e fazer o vestibular, já pensando no que farão no futuro.

Gostei bastante de poder ver não apenas o ponto de vista dos alunos, mas também dos professores, que falam como é difícil ter que encontrar métodos de ensino eficazes e lidar com os diferentes tipos de alunos.

Título: Waiting for Superman (documentário)
Diretor: Davis Guggenheim
Ano: 2010
País: Estados Unidos
Sinopse: Documentário centrado na crise da educação pública nos Estados unidos. A história é contada através de várias histórias interligadas a partir de muitos alunos e suas famílias. Os educadores procuram uma solução dentro de um sistema problemático.
Trailer: AQUI







É costume dizermos que os Estados Unidos é a maior potência mundial, que lá há as melhores oportunidades de vida e que as dificuldades são menores se comparadas ao nosso próprio país. Mas não é bem assim. O que muita gente não sabe é que a educação nos EUA é tão delicada quanto a educação  no Brasil, que as políticas educacionais possuem vários buracos que comprometem a sua melhoria. Dá para acreditar que professores incompetentes não podem ser despedidos? Pois é! Lá existe uma espécie de "Dança das laranjas", que nada mais é que jogar o professor ruim de uma escola para outra fazendo com que ele nunca seja demitido, mesmo se o modo como ele ensina é ruim e prejudica os alunos. Alguns desses professores passam por uma "reformulação" de seus métodos, mas não faz muita diferença.

O sistema norte-americano é diferente do nosso. Lá as escolas particulares são muito caras e só entra em uma quem tem bastante dinheiro e uma vida confortável, por isso as melhores escolas públicas são disputadas à tapa pelos pais que desejam uma boa educação para seus filhos. São poucas vagas para muitos inscritos. Algumas escolas só oferecem 15 vagas, por exemplo, e mais de 300 pessoas estão concorrendo no sorteio.

Fiquei muito emocionada com a garra de algumas mães para colocarem seus filhos em uma boa escola, já que muitas escola, como aqui, também não estão preparadas e possuem um baixo rendimento. Foi triste ver quando as crianças não eram sorteadas para preencher a vaga das escolas.

Este documentário nos faz refletir sobre todo o sistema educacional e nos instiga a pensar em medidas eficientes para melhorá-lo.


Existem muitos outros filmes que propõe falar sobre a educação, mas estes, no geral, são os que mais me tocaram e me fizeram refletir sobre o assunto. Acredito que levarei suas mensagens para a vida.

Reparem que a nacionalidade destes filmes são diferentes. Dois são dos Estados Unidos, um da Índia, um do Brasil e outro da França. E isso nos mostra o que? Que a educação, seja em qual país for, tem suas falhas e precisa ser analisada com todo o cuidado possível, pois deixá-la melhor nunca é demais.

Beijos :)

sábado, 25 de agosto de 2012

#Livro | Sempre (Forever)


*chegando e limpando as teias de aranha do blog*

Tanto tempo que eu não posto, não é? Podem ter certeza, eu não me orgulho nada disso. Fiquei afastada mais por não estar no clima de postar algo com o mínimo de conteúdo possível do que outra coisa. Eu não queria fazer posts de uma maneira forçada, porque eu não me sentiria bem, então preferi ficar esse tempinho afastada até voltar com a energia necessária. Espero que dessa vez seja para ficar mesmo, rs. Nesse tempo que eu estive de fora, não fiz nada muito interessante, mas nos últimos dias peguei um livro maravilhoso para ler e é justamente sobre ele que irei falar hoje.

"Sempre (Forever)" não é um livro muito conhecido, muito menos foi escrito por uma autora famosa, mas não é por isso que ele não deixa de ser especial. Antes de ser lançado em formato de livro, esta história tinha sido publicada em formato de fanfic. Para quem não está familiarizado com o termo, fanfic quer dizer "ficção feita por fã", ou seja, é uma história criada usando como base personagens de livros/filmes/séries/animes, podendo seguir o enredo original ou ser totalmente modificada e seu fim não é lucrativo. No caso deste livro, ele era uma fanfic de "Crepúsculo".

Sei que algumas pessoas vão fazer cara feia apenas pela simples menção de "Crepúsculo", mas vamos com calma, o livro em nada se parece com o enredo do outro livro citado e tampouco faz referências a ele. Além de ter uma história bem criada, foi bastante modificado para, justamente, não ter nada que se parecesse com a fanfic.

Nesta obra nos são apresentadas as vidas de Haven Antonelli e Carmine DeMarco, dois jovens que tiveram uma infância muito conturbada e até hoje sofrem com as consequências delas. Enquanto Haven é uma escrava em pleno século XXI e passou por muitos maus tratos, Carmine é um garoto rebelde e herdeiro de uma perigosa rede mafiosa italiana. Os dois vivem em um mundo completamente diferente do outro, mas não fazem ideia de que esses mundos estão muito interligados. Eles se conhecem quando Haven é levada para a casa da família DeMarco e a partir disso se aproximam, conhecendo um pouco mais um do outro e trocando experiências até então não vividas. É palpável a mudança que acontece quando eles passam a interagir entre si, os dois se encaixam perfeitamente e servem como porto seguro para o outro.

Quase todos os personagens têm uma importância, principalmente os mafiosos e Vincent DeMarco, pai de Carmine, um homem frio, desesperançoso e indignado com o próprio mundo em que vive e que carrega grande parte da trama nas costas. É ele que guarda todas as respostas para a ligação entre a vida de Haven, Carmine e a máfia. Muitas das escolhas pessoais dele se veem refletidas no futuro e isso é o que move a história, de uma forma ou outra.

A narrativa é feita em terceira pessoa e o narrador conta a história através dos passos de Carmine, Haven e Vicent, então a perspectiva desses três personagens é bem feita, nós conseguimos nos aprofundar na mente de cada um deles e isso, por consequência, nos faz perceber o quanto a personalidade e a história de vida deles é bem elaborada, em nenhum momento eles se perdem, seguem à risca o que são desde o início. Carmine, por exemplo, não é rebelde por simplesmente querer. Ele é assim por tudo o que sofreu na infância com a perda da mãe e negligência de seu pai, desta forma gosta de encontrar problemas para esquecer todo o seu passado e a carência que sente. E Vincent, por outro lado, não é uma pessoa fria e afastada por escolha, mas por ter sido levado a ser assim. Ele não gosta de ser mafioso, acha o seu trabalho um horror e, entre os mafiosos, ele é o que ainda tem um pouco de compaixão em seu coração. Vincent não quis ser um criminoso, porém a sua vida sempre girou em torno da Máfia, pois seu pai era um grande chefão e ele teve que ocupar o lugar deste.

A linguagem do livro é fácil e muito gostosa de acompanhar. Como o livro ainda não tem uma tradução para o português, acredito que a linguagem seria adequada para pessoas no nível intermediário do inglês, mas isso não significa que pessoas com o nível um pouco mais baixo não possa ler, isso depende de cada pessoa, não é? O que quero dizer é que algumas palavras ou estruturas podem não ser do conhecimento de todos e isso afetaria na leitura. 

Gostei muito da forma como J.M Darhower, a autora, construiu o relacionamento de Carmine e Haven. Não é aquela coisa água com açúcar e melosa o tempo inteiro, apesar de ser bem fofo. Além disso, Darhower escreveu um livro repleto de mensagens legais para levarmos para a nossa vida.

E aí, gostou da dica de hoje? Talvez eu não tenha sido tão profunda quanto gostaria de ter sido, mas acredito que deu para pegar um pouquinho da "belezura" que é este livro, não é? Não quis me demorar muito porque se eu escrevesse mais e mais acabaria soltando muito spoiler, pois a trama deste livro possui tantos segredos misturados nos diálogos, que você fica o tempo todo com aquela sensação de que algo muito ruim e grande está por vir, mesmo que a história pareça estar indo para um caminho feliz.

É isso aí!

Beijos :)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

#Série | Grimm


Desde que comecei a assistir "Once Upon a Time" [veja o post sobre a série aqui], eu percebi o quanto sou encantada pelos contos de fada, pois até então eu tinha apenas aquela relação normal, que se baseava só no fato de eu ter crescido ouvindo essas historinhas cheias de fadas, princesas, príncipes e seres encantados. Eu acho interessantíssimo poder ver o quanto esses contos são diferentes quando visto por outras referências e como conseguimos transformá-los em histórias incríveis. Ver a diferença entre o conto mais "romantizado" na versão da Disney e o conto original, chega a ser fascinante. 

Por isso tudo, quando soube que uma nova série seria baseada nos contos dos Irmãos Grimm - os escritores de contos de fadas famosos como Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve, Cinderela, João e Maria, Rapunzel e A Bela Adormecida -, eu fiquei muito tentada a assistir. E como eu sou uma pessoa muito atrasada e quase nunca consigo acompanhar uma série logo de início, só consegui assisti-la recentemente.

A série "Grimm", da qual estou falando, consegue ter um roteiro tão original quanto o de "Once Upon a Time", apesar do primeiro ser muito mais sombrio do que o segundo. Esta série conta a história do detetive de homicídios Nick Buckhardt, um rapaz muito ágil e esperto em sua profissão, que começa a presenciar coisas muito estranhas, como ver o lado feio de algumas pessoas (elas parecem monstros). Quando sua tia Marie volta à cidade, ele fica sabendo do motivo de isso acontecer. Ele descobre que é descendente dos Grimm, um grupo anônimo de caçadores responsável por defender o mundo real contra as criaturas monstruosas, e que todas as histórias dos contos de fadas de fato aconteceram e foram escritas em livros como uma forma de alerta para as pessoas. 


O fato de Nick ser um Grimm pode trazer perigos para sua vida pessoal e profissional, pois os Wesens - nome dado às criaturas mágicas sobrenaturais - não poupam esforços de acabar com a vida de qualquer descendente dos Grimm e quem estiver associado a eles. Desta forma, ele não pode contar que é um Grimm para sua noiva, Juliette, e nem para seu parceiro de trabalho e amigo, Hank Griffin, colocando os dois em igual perigo.

Certo dia, quando está investigando mais um caso de homicídio, Nick conhece Monroe, uma criatura Wesen que vive em perfeito estado de harmonia entre a sua essência sobrenatural e o mundo humano, pois foi "reformado", ou seja, não traz mais perigo para as pessoas normais. Monroe é um Blutbad que, em outras palavras, vem a ser o famoso Lobo Mau dos contos. E é ele quem vai ajudar Nick a desvendar coisas sobre o mundo sobrenatural das criaturas e a entender tudo sobre o que pouco sabe, e isso vai acabar aproximando os dois e eles se tornam amigos.

Talvez lendo a sinopse a gente fica com aquela impressão de "Ué, mas cadê os contos de fadas propriamente ditos?". Eles não aparecem tão diretos, mas sim como o mistério que envolve os homicídios que Nick terá que desvendar. Cada episódio faz ligação com um conto. No episódio piloto, por exemplo, o homicídio da vez é de uma moça vestida com um capuz vermelho que estava correndo pela floresta e foi atacada por um lobo. E isso te lembra quem? Ao conto da Chapeuzinho Vermelho. E é desta forma que os contos são inseridos na série. O legal é que em cada episódio há uma citação do conto que aparecerá, o que nos faz logo ficar atentos aos detalhes, porque de uma forma ou outra é preciso saber sobre o que se trata o conto da vez.


Há um suspense em cada coisinha, desde a iluminação do ambiente onde a série ocorre até a forma como a câmera foca as pessoas. Parece que a todo instante você vai se deparar com alguma criatura horrenda ou que algo vai acontecer para te deixar em alerta. Achei todo esse mistério + suspense muito bem feito, fiquei o tempo todo muito presa aos acontecimentos à medida que passavam na tela. Fora que é muito legal ficar buscando os pequenos detalhes que te fazem lembrar dos contos. 

Como eu disse mais ali em cima, o roteiro é muito original. É super interessante a forma que encontraram de misturar investigação e os personagens famosos que tanto conhecemos, mas que aparecem aqui de uma outra forma, e é uma de genialidade sem tamanho terem criado tantos nomes para as criaturas Wesens. Se vocês derem uma pesquisada um pouco mais à fundo, verão uma lista completa com cada tipo de criatura, explicando o que cada uma delas é. Fico de queixo caído para tanta criatividade, devo tirar meu chapéu para isso.

Gostei bastante dos personagens. A relação entre Nick e Hank é aquela coisa de parceria mesmo, amigos além dos laços profissionais. E nem preciso falar do Monroe. A princípio achamos que ele é do mal, porém basta conhecermos um pouco mais dele para percebemos que ele é bem engraçado de um jeito irônico, sempre com um comentário na ponta língua. Quando Nick faz alguma pergunta boba, Monroe vem logo com um "Você é idiota ou o quê?"

Ainda estou assistindo ao segundo episódio, mas já posso garantir que a série promete muito. Dei uma lida no que vai acontecer em seguida e parece que só tende a melhorar muito. 

"Grimm" passa toda segunda-feira, às 23:00, no canal Universal Channel. 






Beijos :)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

#Filme | Como Estrelas na Terra



Emocionante do início ao fim, é tudo o que posso falar sobre este filme. Por isso não seria surpresa alguma se eu dissesse que chorei loucamente. Algumas cenas eram tão simples, mas que carregavam consigo uma emoção tão grande e mensagens tão significativas que, quando aliadas a boa trilha sonora, ficaram maravilhosas. Eu não pretendia fazer um post apenas sobre ele, mas como vi que tinha muita coisa para falar a respeito, decidi fazer.

"Como Estrelas na Terra" - também conhecido como "Somos Todos Diferentes" - é um filme  indiano de 2007 dirigido por Aamir Khan, que conta a história de Ishaan Awasthi, um menino com uma grande imaginação e criatividade para pintura, que vive no seu mundinho paralelo e não consegue entender o porquê de não aprender as matérias da escola como todos os seus outros colegas de classe, para ele as letras parecem "dançar" a sua frente. Os pais também não compreendem isso e acham que ele, na verdade, é assim por desinteresse e por gostar de se meter em confusão. 

O pai de Ishaan é um homem que cria os filhos para se tornarem "vencedores", pessoas que são boas em tudo o que fazem, então para ele é mais difícil entender que seu filho tem problemas - principalmente quando seu filho mais velho é o melhor aluno da turma. A mãe, por outro lado, ainda tenta ajudar o filho, mesmo que fracasse. O menino tira péssimas notas na escola, já repetiu de ano e nenhum professor tem mais paciência para ensiná-lo, por isso sugerem que mandem o garoto para uma escola especial. O pai não pensa duas vezes e manda Ishaan para um colégio interno. Lá o menino perde todo o brilho que ainda tinha para pintar. Ele se torna uma criança depressiva e se exclui.
É só quando o professor Nikumbh começa a dar aula de Artes na escola de Ishaan, que o menino será compreendido. Nikumbh passa a observar o garoto, percebe que este tem dislexia - um problema no cérebro que faz a pessoa ter dificuldades para ler e escrever - e fica indignado como os professores simplesmente viram as costas para todos os problemas de um menino que claramente precisa de ajuda. Ele vai até a casa dos pais de Ishaan e conversa com eles explicando todo o problema do menino. A partir daí ele cria métodos diferentes de estudo para que Ishaan consiga aprender as matérias da escola, tudo isso através da Arte, que é a única matéria na qual o menino mais se identifica.

Com esses novos métodos Ishaan percebe que pode sim aprender. O menino, inclusive, consegue voltar com toda a alegria que um dia tinha perdido por ter sofrido tantas repressões dos professores. É uma mudança gigantesca, não só interiormente no menino quanto no desempenho escolar.

Eu terminei de assistir as mais de duas horas deste filme e fiquei querendo mais e muito mais, porque teve uma importância tão grande para mim, que horas depois eu me peguei pensando nas tantas mensagens que o filme trouxe para mim. Me mudou consideravelmente.

É um filme que te faz perguntar sobre o sistema educacional e concluir como este mesmo sistema está tão despreparado para as diferentes situações que tiram os professores de suas zonas de conforto (que é aquela coisa chata que se limita a só enfiar o conteúdo na cabeça do aluno e este tem, de qualquer jeito, aprender, seja qual for a sua dificuldade). Seja aqui ou lá na Índia, o sistema está atrasado. Por isso é quase impossível você não fazer uma relação entre o filme e a sua própria vida na escola, o que te faz perceber como, realmente, alguns professores tendem a desprezar os problemas dos alunos, como se uma nota fosse realmente dizer o que um aluno sabe - e elas, as vezes, não dizem nada mesmo.

Roteiro, trilha sonora e atuações se unem de uma forma fantástica em "Como Estrelas na Terra" - cujo título original é "Taare Zameen Par". Darsheel Safary, que interpretou Ishaan, deu um show a parte. A interpretação dele foi real, muito humana para uma criança tão pequena como ele. Ver a confusão e solidão naqueles olhos era devastador, ele se expressava só com os olhinhos cheios de lágrimas, dava vontade de pegá-lo no colo e consolá-lo. Tem uma frase, em alguma cena do filme, que consegue simplificar a atuação de Darsheel: "Seus olhos berram por socorro". É exatamente assim! Darsheel passa emoção apenas com os olhos.


Aamir Khan, que não só interpretou Nikumbh como também produziu e dirigiu o filme, mostrou ser ótimo em todas essas coisas que se propõe a fazer. Assim como Darsheel, ele deu um show e conseguiu me emocionar em várias cenas, até mesmo naquelas que não pediam um lencinho de papel para enxugar meus olhos.

"Como Estrelas na Terra" é um filme que mistura a emoção, sensibilidade e alegria nas coisas mais simples - porque, afinal, é um filme de Bollywood do qual estou falando, sempre tem uma música contagiante com uma dancinha para animar.

Foi o primeiro filme completamente indiano que assisti. No início achei estranhíssimo misturarem hindi e inglês - em algumas cenas um determinado ator estava falando em hindi e, do nada, soltava uma expressão em inglês -, mas depois me acostumei. Já vou até procurar por mais filmes para assistir.

Se puderem, assistam e preparem as caixinhas de lenço, porque você vai se emocionar. Eu mesma, como já disse, chorei como um bebê.

Agora fiquem com o trailer:


Beijos :)

sábado, 7 de julho de 2012

#Livro | On the Road - Pé na Estrada


Assim como eu disse que teria muito o que falar sobre o livro "As aventuras de Robinson Crusoé", de Daniel Defoe [veja o post aqui], eu também tenho muito o que falar sobre "On the Road", mesmo porque os dois se assemelham no fato de falarem sobre jovens procurando por novas experiências para achar o sentido de suas vidas. E não só por isso. O livro de Kerouac foi importante para uma geração e muitas histórias legais aconteceram por trás e por causa deste livro, desde o modo como ele foi escrito, passando pelas influências que deixou até a dificuldade encontrada para que fosse traduzido brilhantemente aqui no Brasil. É de uma importância sem tamanho.

Antes de começar a falar sobre as minhas impressões do livro, devo explicar um pouquinho sobre a geração beat que está tão presente nesta obra e que é a grande linha de pensamento. Aos que nunca ouviram falar, a Geração Beat foi um movimento de contracultura que questionava os valores, pensamentos e a política da sociedade americana pós-segunda guerra. Os intelectuais que lideraram esse movimento eram, em grande maioria, boêmios e nômades que prezavam pela liberdade. Deste movimento surgiram os hippies, os punks e muitos outros, e foi o carro chefe para o acontecimento do famosíssimo festival de Woodstock anos mais tarde, para vocês verem como foi um grande marco. Até mesmo os Beatles, surgidos após esse período, tem esse nome graças ao "beat" do movimento. 

"On the Road - Pé na Estrada", escrito em 1951 por Jack Kerouac, fala sobre a história de Sal Paradise, um jovem escritor norte-americano que já estava cansado de sua vida pacata e decide viajar estrada a fora para experimentar novas coisas. O principal motivo de sua viagem é Dean Moriarty, um rapaz problemático, ávido pelo conhecimento e de espírito livre, que dá a Sal todas as sensações de liberdade que ele nunca teve. De carro eles atravessam os Estados Unidos, passando pela famosa Rota 66, conhecem pessoas dos mais diversos tipos e passam por experiências regadas a drogas, bebida, sexo e muito jazz, de uma maneira tão forte e visceral até então não vista.

O livro divide-se em cinco partes. A primeira é uma introdução a viagem principal, apresenta a maioria dos personagens e suas histórias e fala sobre a iniciativa de Sal em viajar, mostrando a primeira experiência dele ao se jogar na estrada cheio de sonhos com apenas cinquenta dólares no bolso (que, na época, ainda valia uma boa quantia) e algumas roupas numa sacola. As outras partes falam mais sobre a viagem com Dean e os episódios que aconteceram depois dela. Confesso que só entrei de cabeça na história a partir da parte 2, pois já começa com bem mais movimento do que a parte 1.

Os personagens são maravilhosos e, quando se unem a ideologias daquele período, se tornam ainda melhores e reais - o que são, de fato, pois a história foi baseada nos amigos e nas experiências de Jack Kerouac. Cada um, sendo secundário ou não, tem uma história de vida bem detalhada, que só uma pessoa que conviveu de verdade poderia saber e contar minuciosamente. Eles são um retrato do pensamento mais "moderno" da época pós-segunda guerra, pois ainda que vivam em uma sociedade cheia de puritanismo, eles pensam diferente e não estão nem aí para pudores. As personagens femininas mostram claramente esse lado. Marylou, mulher/amante de Dean, é o símbolo da não inocência feminina. Ela aplica golpes, é tão aventureira quanto qualquer homem e tem uma liberdade sexual muito incomum para as mulheres conservadoras da época. Aliás, todas as personagens femininas são fortes e de personalidade.

É quase impossível não se identificar com algum personagem quando eles buscam tanto pelo direito de ir e vir sem amarras morais. Sal é um rapaz mais centrado, um pouco conservador, as vezes até mesmo solitário, que quer entender as coisas ao seu redor. Dean, em contrapartida, é o lado mais insano, pois é um cara que vive intensamente e está andando de um lado para o outro sem saber onde quer chegar. Ele é daqueles que não se prende a ninguém, nem mesmo a um amigo ou as suas "mulheres" - Dean começa a história casado com Marylou, divorcia-se dela e casa-se com Camille, a quem ele trai sempre que viaja.

Incrível mesmo é ver o que a estrada representa e isso deixa as viagens ainda mais emocionantes de serem analisadas. Ela não mostra apenas a mudança de Sal e Dean à medida que eles conhecem novas pessoas, mas também mostra o lado sujo das pessoas e o que elas fazem para alcançar seus objetivos, é o grande lado podre do famoso sonho americano. As pessoas viajavam quilômetros e quilômetros atrás de uma condição de vida melhor, por igualdades de oportunidade e uma liberdade em diversas áreas. Aqui todos são retratados como normais, aqueles que falam palavrão, gírias, bebem, usam drogas, fazem sexo e levam uma vida boêmia, bem diferente do outro lado "certinho" da sociedade.

A linguagem, no entanto, não é uma das mais fáceis de acompanhar, não por se recheada de pensamentos complicados de entender, mas sim por ter sido construída com um fluxo diferente. Kerouac narra como fala, então é muito comum perceber que ele escrevia de acordo como suas ideias iam fluindo, algumas coisas vão correndo e, quando você se dá conta, já aconteceu muita história.  Isso é uma das características mais fortes dos livros escritos no período do movimento beat. Não há aquela valorização pela escrita certinha, seguindo os padrões. Há uma certa espontaneidade, os parágrafos se perdem um no outro e são grandes - o que mostra que Kerouac não ligava muito para eles, preferia escrever sem interromper sua inspiração. Outra coisa que pode tornar a leitura um pouco mais devagar é que, como Sal fez muitas viagens durante meses, ele conhece várias pessoas e isso pode te deixar meio perdido com tantos personagens. Alguns entram na história e você nem percebe. Mas, à medida que a trama se desenrola, você se acostuma com a forma de narrar de Kerouac.

Também devo apontar um outro fato importante: a tradução. Só de imaginar toda a dificuldade que Eduardo Bueno, o tradutor, teve de fazer para conseguir que o livro fosse publicado aqui no Brasil, eu fico passada e percebo o quanto de dedicação ele colocou ali naquela tradução. Apesar de ele ter preferido deixar a forma original dos diálogos - os diálogos em inglês são feitos em aspas e não em travessões como no português  -, eu vejo o quanto a tradução foi fiel. Cheguei a comparar tradução e original e a essência permaneceu, tão ágil e tocante quanto as palavras em inglês. Eduardo é um grande exemplo para os jovens que gostariam de ingressar nesta profissão.

Eu diria que "On the Road" é aquele tipo de livro que você deve ler aos pouquinhos e "degustar" o máximo que puder. E o que mais gostei foi de poder ver o lado real das pessoas num período tão cheio de mudanças.


Recentemente, a Editora L&PM - que detém os direitos da tradução hoje - lançou uma nova edição do livro, desta vez com a capa do filme e em tamanho convencional. Pois é, o livro ganhou finalmente uma adaptação para o cinema depois de mais de vinte anos que teve seus direitos comprados, com produção de Francis Coppola e direção do brasileiro Walter Salles - famoso por seus filmes rodados na estrada, como "Central do Brasil" e "Diários de Motocicleta".

Aos interessados, o filme estreia aqui no Brasil dia 13 de Julho, com Sam Riley (Sal Paradise), Garrett Hedlund (Dean Moriarty), Kristen Stewart (Marylou), Kirsten Dunst (Camille) e grande elenco. Dizem que a adaptação está muito boa e as críticas, até agora, foram positivas. Quero só ver, porque adaptar uma história tão longa, cheia de viagens e de uma grande importância como esta, não é tarefa fácil para ninguém, ainda mais quando muita gente espera por anos por este filme.

E, para terminar, transcreverei um dos mais célebres trechos do livro que consegue capturar meus pensamentos perfeitamente:

"Mas nessa época eles dançavam pelas ruas como piões frenéticos e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante - pop! - pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos 'aaaaaaah!'" - Página 25.

É isso aí, espero que vocês tenham gostado!

Beijos :)

domingo, 1 de julho de 2012

#Série | Good Christian Belles (GCB)


Quando eu soube que a Kristin Chenoweth estava protagonizando uma série, na hora eu quis conferir sobre o que essa série falava, isso porque a Kristin fez um dos musicais que eu mais admiro nessa minha vida. E posso dizer que não me arrependi de ter assistido ao seriado que, embora curtinho, só tendo uma temporada com dez episódios, eu adorei, principalmente porque faz críticas a diversos fatores da sociedade - e quando isso se une a comédia, então, fica melhor ainda.

"Good Christian Belles", conhecido também por GCB, conta a história de Amanda Vaughn, uma mulher que acabou de ficar viúva e perdeu tudo o que tinha por conta dos golpes do falecido marido. Sem ter para onde ir, a única escapatória é morar novamente com sua mãe maluca, Gigi, que tenta ensinar a ela como educar seus filhos - da maneira errada. Sendo assim, ela acaba voltando com os filhos para a sua cidade natal, Dallas, no Texas, e pensa que tudo irá mudar. Quando volta à cidade, vira motivo de fofoca, já que ela, uma das poucas que havia saído de lá, retorna arruinada. As maiores fofocas são feitas por quatro desafetos seus: Carlene, Sharon, Cricket e Heather, mulheres de quem ela zombou durante todo o tempo em que estudaram juntas. Carlene, antes a feiosa da turma, passou por uma grande transformação e hoje vive de roupas de grife e num mundo luxuoso; Sharon, que na época da adolescência era uma das mais belas da escola, agora virou dona-de-casa e encontrou na comida a fuga dos seus problemas, passando a comer muito e perdendo todo o corpinho de outrora; Cricket, que perdeu seu namorado para Amanda quando eram adolescentes, tornou-se uma mulher bem sucedida e vive um casamento de aparências, pois seu marido é gay; e Heather, antes meio invisível na escola, virou uma mulher importante para os negócios da cidade e é a única que parece gostar mais de Amanda, aceitando as desculpas desta.

                               

Apesar de Amanda ter mudado muito dos tempos de escola até o momento presente, se tornando uma pessoa madura e sem julgar os outros por pouco, as "fofoqueiras" não se importam, querem mesmo é tornar a vida de Amanda um inferno, assim como ela fez com as delas muitos anos atrás. Então, com o comando de Carlene, todas fazem de um tudo para Amanda se dar mal. E elas sempre justificam seus atos com alguma frase religiosa e usam a igreja para mostrar ainda mais suas mágoas e seus rancores.

Adorei a série, de verdade. A forma encontrada de criticar as justificativas mesquinhas para se fazer algo usando o nome da religião, foi fantástica. As pessoas são hipócritas, vivem da aparência, se vangloriam de feitos do passado (ou se prendem a mágoas passadas), ficam no empasse de fazer o bem e/ou o mal e tantas outras características mais humanas impossíveis. 

Os personagens são ótimos e cada um possui uma personalidade marcante, bem detalhada, cheia de estereótipos e representam perfeitamente muitas figuras do nosso meio. Os atores conseguem dar o tom exato para seu respectivo personagem. Gigi, a mãe de Amanda, é aquele tipo de mulher meio maluca, dondoca e beberrona (um contraste ao luxo em que vive), acima de qualquer fofoca e que não liga muito para os preceitos morais, pois ensinou a filha a ser meio interesseira e usar a beleza para conseguir as coisas e, anos depois, tenta ensinar o mesmo para a neta, que se transforma depois que passa a morar com a avó, passando a vestir roupas curtas, o que não agrada nada Amanda. Outro coadjuvante que, embora não dê para saber muito sobre ele logo de cara, mas tem uma representação muito legal, é Blake Reilly, marido de Cricket, um homossexual não assumido que prefere ter um casamento de fachada do que assumir sua orientação sexual e chocar as pessoas hipócritas da high society. Personagens reais como esses são um prato cheio.



Apesar de ter gostado, tenho algumas outras coisas para apontar. Por só ter dez episódios, cada episódio contém muito informação, as coisas vão passando rápido e a história se desenvolve em pouco tempo. Isso pode dar uma certa confusão, ficamos meio perdidos no meio de tanta coisa acontecendo. Mal dá para pegar o nome de certos personagens, como os maridos das antagonistas, por exemplo. O certo seria ter mais episódios para que isso não acontecesse, mas eu sei que não seria possível, pois a série tinha um tempo exato para começar e terminar.

GCB foi baseada no livro "Good Christian Bitches", de Kim Gatlin, e produzida para substituir a série "Pan AM", que entrava de férias e voltaria depois. Infelizmente, a série foi cancelada com apenas 1 temporada, apesar de uma boa aceitação por parte do público e a grande campanha que fizeram para que ela continuasse. Acredito que foi cancelada pelos boicotes que estavam fazendo, com certeza os religiosos mais fanáticos não ficaram satisfeitos com as críticas que a série fazia. Parece que as pessoas só gostam de ver o mundo cor-de-rosa sendo retratado. Uma pena!
Aqui no Brasil a séria passa toda terça-feira, às 22:00 hrs, no canal a cabo Sony. Ainda dá tempo de acompanhar, acredito que ainda está passando o 5º episódio. E para terminar, deixo vocês com o trailer e uma montagem de quem é quem a série (clique na imagem para ampliar):




E aí, gostou da dica de hoje?

Beijos :)


sábado, 23 de junho de 2012

#Livro | As Aventuras de Robinson Crusoé


Eu teria inúmeras coisas para falar a respeito deste livro, a começar pelo fato de que ele é um clássico da literatura inglesa e foi, inclusive, o livro que deu início ao gênero romance na Inglaterra. Também pudera. Daniel Defoe, autor da obra, além de ter sido importante para a sua época, é considerado o "pai" do jornalismo britânico. Foi difícil dar uma resumida para esta postagem não ficar muito longa, então tentarei destacar os pontos principais para não perder o foco. 

Em "As aventuras de Robinson Crusoé" - ou apenas 'Robinson Crusoé', como visto em outras edições do livro -, escrito por Daniel Defoe e publicado em  1719, entramos numa viagem cheia de crises existenciais e problemas quase impossíveis de serem resolvidos. Robinson Crusoé é um jovem garoto que completou a maioridade há pouco tempo. Ele ainda não sabe bem o que quer da vida, apenas que quer aproveitá-la enquanto há tempo. Por mais que o seu pai fale milhares de vezes que o certo é ter bons estudos e trabalhar honestamente para constituir uma família, Robinson quer mesmo é ver até onde sua vida lhe levaria, por isso muitas discussões entre ele e o pai acontecem. Depois de uma briga com a mãe justamente por causa desses pensamentos "malucos", ele decide viajar com um amigo que estava prestes a embarcar num navio. Com a roupa do corpo e sem se despedir dos pais, ele viaja. A partir desta viagem a vida de Robinson mudará drasticamente.

O navio em que ele estava afunda, porém ele e mais alguns tripulantes conseguem escapar. Essa era a oportunidade para Robinson desistir de uma vez de tentar ser marinheiro, mas ele não se importa e acaba embarcando em outra viagem e esta, novamente, não dá certo. Desta vez o navio é invadido por piratas, que acabam obrigando a todos da tripulação a virarem seus escravos, Robinson incluído. Ele fica trabalhando como escravo por dois anos numa ilha, sempre fazendo planos de escapar. Um dia, por sorte, ele consegue fugir levando consigo um outro escravo, Xury, um garoto mouro.  No meio da fuga eles são resgatados por um navio português, que lhes dá segurança e um emprego. Este navio estava indo em direção ao Brasil, lugar onde Robinson irá, com seu trabalho, conseguir terras boas e aos poucos enriquecer. Só que, mesmo já tendo uma vida estável, Robinson não está satisfeito. Ele quer viver novas experiências, ver o que está além das coisas que já conhece. Então embarca de novo em uma nova viagem, agora para pegar escravos.

No entanto, a viagem desta vez não tem um final muito feliz. O navio bate em um banco de areia e encalha. As pessoas tentam fugir em um bote, mas acabam naufragando e o único que consegue se salvar é Robinson, sabe-se lá como. Ele acaba parando numa ilha aparentemente inabitada e como qualquer um naquela situação, ele fica com medo de encontrar animais selvagens e morrer sozinho ali. Robinson explora a ilha e consegue, com muito esforço, pegar algumas coisas úteis que estavam dentro do navio encalhado. Aos poucos ele começa a criar uma casa, a conhecer mais o local onde iria ficar, a aprender como sobreviver por ali e tudo mais. 

Depois de vários desafios a sua sobrevivência, vinte e poucos anos se passam e Robinson está muito bem, obrigada. Ele já está até se sentindo o dono da ilha e vivendo em paz. Entretanto, certo dia, as coisas pioram. Ele encontra pegadas humanas na areia e percebe que a ilha não era tão inabitada assim, então fica observando para ver se encontra algum movimento e dá de cara com canibais que levavam seus prisioneiros para a ilha e, lá, os comiam. Um dos prisioneiros escapa, Robinson o dá abrigo e depois mata os outros canibais. O prisioneiro fugitivo, que também era um canibal, mas de uma tribo inimiga aos outros que morreram, se sente muito agradecido por ter sido salvo por Robinson e pede a ele para ser seu escravo. Robinson aceita, claro, mesmo porque precisava de uma companhia. Ele dá ao rapaz o nome de Sexta-feira (dia em que eles se conheceram) e a partir disso eles viram amigos e irão passar por outros grandes desafios até serem resgatados, anos depois.

Esta obra é escrita a partir do ponto de vista de Robinson e por muitas partes é narrada em forma de diário, dando a entender que a história está sendo contada depois que Robinson é resgatado da ilha, pois em alguns trechos ele parece conversar diretamente com o leitor.

Surpreendentemente, a linguagem é bastante simples, muito fácil de você se prender a ela. É por essas e outras que a obra é considerada clássica, uma vez que a linguagem consegue ser facilmente entendida durante os anos, ela não se prende apenas a forma de falar da época em que foi escrita. Talvez essa simplicidade tenha acontecido porque, na época em que Daniel Defoe escreveu este livro, a literatura havia passado por um processo de restauração.

Outra coisa surpreendente é a descrição nos mínimos detalhes. Daniel consegue descrever perfeitamente os lugares onde ele nunca esteve - pelo menos não há registro, por exemplo, de ele ter conhecido pessoalmente o Brasil - e isso, naquele período, em que não havia tantas informações sobre os lugares além-mar, era um tanto difícil. Como Robinson fica por muitos anos na ilha, essa detalhação toda acaba ficando por muitas vezes enjoativa, o que deixa a leitura se arrastar em alguns trechos desnecessários. Era como se Robinson estivesse vivendo em um constante marasmo na ilha e isso se mostrasse presente na forma meio repetitiva de Daniel narrar.

A obra não possui críticas políticas estampadas claramente, mas possui críticas à sociedade da época, que era extremamente religiosa e aos poucos estava entrando no capitalismo explorador. O próprio Robinson é a representação disso. Por mais que ele tivesse sentimentos, não deixava de explorar o seu amigo Xury para o seu próprio bem, sempre vendo-o como seu subordinado. Ele explorava até mesmo o seu fiel amigo Sexta-feira. Parece que ao mesmo tempo que o via como um grande companheiro, ele via a necessidade de mudar os costumes do "ex-canibal", uma clara representação do pensamento egocêntrico e até mesmo etnocêntrico. Robinson ensina os princípios cristãs para Sexta-feira e o faz se arrepender de ter um dia comido carne humana. Se isso não é considerar a sua visão de mundo melhor do que os dos outros, eu não sei mais o que é. Outra coisa que mostra Robinson um homem que via no dinheiro o grande prazer da vida, é que ele levou dentro do bolso, depois de pegar algumas coisas no navio encalhado, algumas notas de dinheiro, mesmo sabendo que vivia numa ilha e aquilo não teria serventia nenhuma.

Além disso tudo, o existencialismo e a religião são o que mais aparecem de cara no livro. Robinson vive divagando sobre a vida, querendo entender nossa função neste mundo e se perguntando o que se deve fazer em determinadas situações, por isso ele sempre está num empasse entre o fazer e o se arrepender. Ele nunca parece satisfeito com as coisas que faz. E a religião é no que ele mais se prende para passar seus dias na ilha. Robinson sempre está lendo a Bíblia e se guiando no que esta diz para acreditar que ele irá sobreviver e um dia será salvo daquele lugar, que Deus guardou algo de bom para ele por mais que ele mesmo tenha falhado miseravelmente. 

Para quem se interessou pela história, há vários filmes sobre o livro, sendo o filme "Robinson Crusoé", de 1997 com Pierce Brosnan no papel principal, o mais fiel e famoso de todos. Vale a pena assistir.

Para encerrar este post gigantesco, deixo vocês com uma frase reflexiva muito interessante encontrada no livro: "... Procurando alegrar-me com o que eu possuía e não me desesperar com o que eu não tinha, porque os desgostos que nos avassalam e mortificam relativamente às coisas que não temos são todos frutos da falta de reconhecimento pelo que possuímos".


Espero que tenham gostado!

Beijos :)