quarta-feira, 6 de junho de 2012

#Divagando | A influência da literatura estrangeira

Imagem: We Heart It.com

Dando uma volta por sites de algumas editoras, percebi como alguns jovens autores brasileiros possuem a forte influência da literatura estrangeira na sua maneira de escrever e de situar suas tramas. Os personagens possuem nomes estrangeiros, há termos estrangeiros, os lugares são estrangeiros... Tudo é estrangeiro, não há quase nenhuma identificação brasileira.

Por que aquele personagem que estuda numa universidade norte-americana não pode estudar numa universidade brasileira? É careta? É sem graça? Não tem a mesma "magia"? E por que aquele personagem não pode possuir características brasucas? É feio? Não chama a atenção?

É claro que cada um faz o que quiser com a sua história, afinal, é sua mesmo. Mas não seria bem mais fácil escrever sobre a realidade e a cultura em que o próprio autor está inserido? Os leitores não se sentiriam mais próximos dos personagens, tendo uma identificação muito mais rápida?

Acredito que é inevitável não ter a influência da literatura estrangeira, ainda mais com a internet, porém ainda sou dessas que pensa que seria fantástico se os autores pegassem essa influência e dessem uma cara mais brasuca, fazendo um releitura daquela realidade para a nossa. Há alguns escritores que fazem e fizeram isso, como o português Eça de Queirós, por exemplo, que escrevia com perfeição sobre a realidade da sociedade portuguesa do século XIX. Apesar de muito citar obras de outros países e até mesmo mostrar que preferia mil vezes outras culturas do que a sua, ele não deixava de unir a cultura portuguesa com as culturas inglesa e francesa. Ele sabia misturá-las e dar uma nova cara, fazendo o seu próprio estilo de escrita. 

Isso me fez lembrar do movimento modernista no Brasil, que pregava a "Antropofagia", termo que nada mais queria dizer: "Pegue aquilo de bom que há lá fora e traga para a nossa realidade. Não ignore a literatura estrangeira, mas também não a imite!". Claro que não com essas palavras, mas bem próximo a isso.

O que eu quero dizer é: Por que tentar se igualar tanto com a forma de escrever dos gringos? Se igualando dessa forma, os livros ficam cada vez mais parecidos, sem muitas novidades - por mais que os enredos sejam distintos - e com zero de originalidade.

Parece que os livros com mais cara de brasileiro são aqueles que pretendem atingir um público infanto-juvenil. Mesmo que eu só tenha passado perto desses livros algumas vezes, eu pude perceber a grande aproximação que eles têm com a nossa realidade - a começar pelos nomes e lugares onde as histórias são ambientadas.

Enfim, esse foi só mais um post feito para meus devaneios malucos. Talvez alguém concorde comigo, talvez não. Estamos aqui para discutir.

Então, me diz aí: O que você acha?

Beijos :)

Um comentário: