quinta-feira, 30 de agosto de 2012

#Filme | 5 filmes sobre educação

A dica de hoje vai para aqueles que estudam Pedagogia ou alguma licenciatura e gostariam de se tornar professores. Mas, claro, isso não significa que as outras pessoas que não se encaixam nestas categorias não possam ficar interessadas. Podem sim! Aliás, devem, porque os filmes que indicarei a seguir são muito importantes quando pretendemos discutir sobre educação, políticas educacionais e a relação professor-aluno. Em dias em que várias instituições públicas federais estão em greve Brasil a fora, esta discussão deve entrar em vigor.

Logo abaixo vou fazer alguns pequenos comentários com minhas impressões sobre cada filme, apontando alguns fatos que devem ser analisados. Notem que os filmes falam diretamente sobre educação, não são aqueles que possuem apenas uma escola como cenário, mas que mostram claramente discussões que todos professores fazem (ou devem fazer, pelo menos) a respeito de sua profissão.

Título: Escritores da Liberdade
Título Original: Freedom Writers
Diretor: Richard Lavraganese
Ano: 2007
País: Estados Unidos
Sinopse: Quando vai parar numa escola corrompida pela violência e tensão racial, a professora Erin Gruwell (Hilary Swank) combate um sistema deficiente, lutando para que a sala de aula faça a diferença na vida dos estudantes. Agora, contando suas próprias histórias, e ouvindo as dos outros, uma turma de adolescentes supostamente indomáveis vai descobrir o poder da tolerância, recuperar suas vidas desfeitas e mudar seu mundo.
Trailer: AQUI

Passar por cima de sua vida pessoal para se dedicar a sua profissão não é um caminho fácil a ser escolhido, mas foi a única saída que a professora Erin decidiu tomar. Quando começa a se dedicar para dar bons estudos aos seus alunos, ela mostra que o professor não tem só o dever de ensinar, mas também dar o melhor para seus alunos, principalmente se eles estudam em uma escola precária e que praticamente já desistiu deles. É por isso que ela começa a trabalhar dobrado para que, com o trabalho extra, possa comprar coisas que a própria escola não tem o costume de dar. É tanto trabalho que ela vê sua vida pessoal fracassar quando o marido decide ir embora.

Achei incrível como os alunos mudaram assim que passaram a ter contato com a professora Erin. Ela os introduz a um mundo que nenhum deles sequer sonhou existir ou que sequer se interessou. É através da escrita que a professora mostra que seus alunos - antes sem nenhuma perspectiva de vida, já que vinham de conflitos familiares intensos e tinham péssimas notas - podem conseguir várias coisas. Quando eles começam a escrever, percebem que podem sim ter um bom desempenho escolar e que a escrita pode aproximá-los a histórias de vidas diferentes, mas que os façam se identificar com elas.

"Escritores da Liberdade" é um daqueles filmes que não se precisa de muita coisa para ser bom, basta apenas a mensagem que ele quer passar para que você se identifique.

Título: Como Estrelas na Terra (ou Somos Todos Diferentes)
Título Original: Taare Zameen Par
Diretor: Aamir Khan
Ano: 2007
País: Índia
Sinopse: História de uma criança, Ishaan Awasthi, de 9 anos, que sofre com dislexia e custa ser compreendida. Um professor substituto de Artes entra em cena e logo percebe que algo estava pairando sobre Ishaan. Não demorou para que o diagnóstico de dislexia ficasse claro para ele, o que o leva a por em prática um ambicioso plano de resgatar aquele garoto que havia perdido sua réstia e a vontade de viver.
Trailer: AQUI



Já falei bastante a respeito deste filme quando o dei como dica [veja o post aqui], então resumidamente apenas falarei que é um lindo e emocionante filme. Mostra como é ineficiente aquele velho sistema que diz que o professor tem apenas o dever de ensinar e o aluno de absorver o ensinamento de qualquer forma, excluindo suas dificuldades e possíveis problemas que afetam na aprendizagem.

O papel de Nikumbh, professor de Artes que irá ajudar o pequeno Ishaan a ter o prazer de estudar, é exatamente este, de mostrar que o professor não só deve prestar atenção com detalhe em seus alunos, mas também ir além do que propõe fazer em sala de aula. Quando ele percebe que Ishaan tem um péssimo desempenho na escola por ter dislexia, imediatamente começa a criar novos métodos de ensino para que o menino possa entender as matérias da escola.


Título: Entre os Muros da Escola
Título Original: Entre le Murs
Diretor: Laurent Cantet
Ano: 2008
País: França
Sinopse: François e os demais amigos professores se preparam para enfrentar mais um ano letivo. Tudo seria normal se a escola não estivesse em um bairro cheio de conflitos. Os mestres têm boas intenções e desejo para oferecer uma boa educação aos seus alunos, mas por causa das diferenças culturais - microcosmo da França contemporânea - esses jovens podem acabar com todo o entusiasmo. François quer surpreender os jovens ensinando o ensino da ética, mas eles não parecem dispostos a aceitar os métodos propostos.
Trailer: AQUI


Com uma fotografia tão simples, filmado de um modo que quase te faz sentir dentro da escola, este filme mostra um lado mais humano do professor, aquele ser que não "engole sapos" e enfrenta até mesmo os alunos mais perigosos e sem a menor expectativa de melhora. É até mesmo agoniante ver como um professor pode perder a cabeça depois de não aguentar os abusos de seus alunos desobedientes, mas que, ao mesmo tempo, se envolve na vida de seus estudantes a fim de melhorar o desempenho deles.

O filme também mostra quais medidas o professor deve tomar quando se tem alunos tão encrenqueiros e que não possuem o menor respeito por seu professor, e o que fazer quando um aluno está passando por dificuldades dentro de casa e isso acaba refletindo em seus estudos.

Em se tratando do que se deve fazer para melhorar o desempenho do aluno, este filme se parece um pouquinho com "Escritores da Liberdade", pois também foca na prática da leitura e da escrita para que os alunos se expressem melhor para que assim possam se interessar nos estudos.

Título: Pro Dia Nascer Feliz (documentário)
Diretor: João Jardim
Ano: 2006
País: Brasil
Sinopse: As situações que o adolescente brasileiro enfrenta na escola, envolvendo preconceito, precariedade, violência e esperança. Adolescentes de 3 estados, de classes sociais distintas, falam de suas vidas na escola, seus projetos e inquietações. Professores também expõe seu cotidiano profissional, ajudando a pintar um quadro complexo das desigualdades e da violência no país a partir da realidade escolar.
Trailer: AQUI



Neste documentário nos são apresentadas as vidas de jovens alunos em diferentes regiões e classes socias do Brasil e mostra como cada um deles se relaciona com a educação e como fatores externos podem prejudicá-los. Como uma escola precária, despreparada e com professores que faltam sem dar a menor justificativa, pode prejudicar o desempenho futuro de um aluno. Como a violência e as más influências não só dentro, mas fora da escola, também podem desinteressar um aluno a estudar. Como as péssimas condições de trabalho podem desfavorecer a qualidade de um professor, por muitas vezes deixando-o sem a menor motivação para lecionar.

A diferença entre alunos carentes e alunos de classes sociais mais altas é enorme. Enquanto os alunos carentes se preocupam em ter que se esforçar para estudar em escolas despreparadas sem saber para onde o futuro lhes levará (já que muitos saem da escola e não continuam os estudos), os alunos das classes mais altas se preocupam em tirar notas boas para passar e fazer o vestibular, já pensando no que farão no futuro.

Gostei bastante de poder ver não apenas o ponto de vista dos alunos, mas também dos professores, que falam como é difícil ter que encontrar métodos de ensino eficazes e lidar com os diferentes tipos de alunos.

Título: Waiting for Superman (documentário)
Diretor: Davis Guggenheim
Ano: 2010
País: Estados Unidos
Sinopse: Documentário centrado na crise da educação pública nos Estados unidos. A história é contada através de várias histórias interligadas a partir de muitos alunos e suas famílias. Os educadores procuram uma solução dentro de um sistema problemático.
Trailer: AQUI







É costume dizermos que os Estados Unidos é a maior potência mundial, que lá há as melhores oportunidades de vida e que as dificuldades são menores se comparadas ao nosso próprio país. Mas não é bem assim. O que muita gente não sabe é que a educação nos EUA é tão delicada quanto a educação  no Brasil, que as políticas educacionais possuem vários buracos que comprometem a sua melhoria. Dá para acreditar que professores incompetentes não podem ser despedidos? Pois é! Lá existe uma espécie de "Dança das laranjas", que nada mais é que jogar o professor ruim de uma escola para outra fazendo com que ele nunca seja demitido, mesmo se o modo como ele ensina é ruim e prejudica os alunos. Alguns desses professores passam por uma "reformulação" de seus métodos, mas não faz muita diferença.

O sistema norte-americano é diferente do nosso. Lá as escolas particulares são muito caras e só entra em uma quem tem bastante dinheiro e uma vida confortável, por isso as melhores escolas públicas são disputadas à tapa pelos pais que desejam uma boa educação para seus filhos. São poucas vagas para muitos inscritos. Algumas escolas só oferecem 15 vagas, por exemplo, e mais de 300 pessoas estão concorrendo no sorteio.

Fiquei muito emocionada com a garra de algumas mães para colocarem seus filhos em uma boa escola, já que muitas escola, como aqui, também não estão preparadas e possuem um baixo rendimento. Foi triste ver quando as crianças não eram sorteadas para preencher a vaga das escolas.

Este documentário nos faz refletir sobre todo o sistema educacional e nos instiga a pensar em medidas eficientes para melhorá-lo.


Existem muitos outros filmes que propõe falar sobre a educação, mas estes, no geral, são os que mais me tocaram e me fizeram refletir sobre o assunto. Acredito que levarei suas mensagens para a vida.

Reparem que a nacionalidade destes filmes são diferentes. Dois são dos Estados Unidos, um da Índia, um do Brasil e outro da França. E isso nos mostra o que? Que a educação, seja em qual país for, tem suas falhas e precisa ser analisada com todo o cuidado possível, pois deixá-la melhor nunca é demais.

Beijos :)

sábado, 25 de agosto de 2012

#Livro | Sempre (Forever)


*chegando e limpando as teias de aranha do blog*

Tanto tempo que eu não posto, não é? Podem ter certeza, eu não me orgulho nada disso. Fiquei afastada mais por não estar no clima de postar algo com o mínimo de conteúdo possível do que outra coisa. Eu não queria fazer posts de uma maneira forçada, porque eu não me sentiria bem, então preferi ficar esse tempinho afastada até voltar com a energia necessária. Espero que dessa vez seja para ficar mesmo, rs. Nesse tempo que eu estive de fora, não fiz nada muito interessante, mas nos últimos dias peguei um livro maravilhoso para ler e é justamente sobre ele que irei falar hoje.

"Sempre (Forever)" não é um livro muito conhecido, muito menos foi escrito por uma autora famosa, mas não é por isso que ele não deixa de ser especial. Antes de ser lançado em formato de livro, esta história tinha sido publicada em formato de fanfic. Para quem não está familiarizado com o termo, fanfic quer dizer "ficção feita por fã", ou seja, é uma história criada usando como base personagens de livros/filmes/séries/animes, podendo seguir o enredo original ou ser totalmente modificada e seu fim não é lucrativo. No caso deste livro, ele era uma fanfic de "Crepúsculo".

Sei que algumas pessoas vão fazer cara feia apenas pela simples menção de "Crepúsculo", mas vamos com calma, o livro em nada se parece com o enredo do outro livro citado e tampouco faz referências a ele. Além de ter uma história bem criada, foi bastante modificado para, justamente, não ter nada que se parecesse com a fanfic.

Nesta obra nos são apresentadas as vidas de Haven Antonelli e Carmine DeMarco, dois jovens que tiveram uma infância muito conturbada e até hoje sofrem com as consequências delas. Enquanto Haven é uma escrava em pleno século XXI e passou por muitos maus tratos, Carmine é um garoto rebelde e herdeiro de uma perigosa rede mafiosa italiana. Os dois vivem em um mundo completamente diferente do outro, mas não fazem ideia de que esses mundos estão muito interligados. Eles se conhecem quando Haven é levada para a casa da família DeMarco e a partir disso se aproximam, conhecendo um pouco mais um do outro e trocando experiências até então não vividas. É palpável a mudança que acontece quando eles passam a interagir entre si, os dois se encaixam perfeitamente e servem como porto seguro para o outro.

Quase todos os personagens têm uma importância, principalmente os mafiosos e Vincent DeMarco, pai de Carmine, um homem frio, desesperançoso e indignado com o próprio mundo em que vive e que carrega grande parte da trama nas costas. É ele que guarda todas as respostas para a ligação entre a vida de Haven, Carmine e a máfia. Muitas das escolhas pessoais dele se veem refletidas no futuro e isso é o que move a história, de uma forma ou outra.

A narrativa é feita em terceira pessoa e o narrador conta a história através dos passos de Carmine, Haven e Vicent, então a perspectiva desses três personagens é bem feita, nós conseguimos nos aprofundar na mente de cada um deles e isso, por consequência, nos faz perceber o quanto a personalidade e a história de vida deles é bem elaborada, em nenhum momento eles se perdem, seguem à risca o que são desde o início. Carmine, por exemplo, não é rebelde por simplesmente querer. Ele é assim por tudo o que sofreu na infância com a perda da mãe e negligência de seu pai, desta forma gosta de encontrar problemas para esquecer todo o seu passado e a carência que sente. E Vincent, por outro lado, não é uma pessoa fria e afastada por escolha, mas por ter sido levado a ser assim. Ele não gosta de ser mafioso, acha o seu trabalho um horror e, entre os mafiosos, ele é o que ainda tem um pouco de compaixão em seu coração. Vincent não quis ser um criminoso, porém a sua vida sempre girou em torno da Máfia, pois seu pai era um grande chefão e ele teve que ocupar o lugar deste.

A linguagem do livro é fácil e muito gostosa de acompanhar. Como o livro ainda não tem uma tradução para o português, acredito que a linguagem seria adequada para pessoas no nível intermediário do inglês, mas isso não significa que pessoas com o nível um pouco mais baixo não possa ler, isso depende de cada pessoa, não é? O que quero dizer é que algumas palavras ou estruturas podem não ser do conhecimento de todos e isso afetaria na leitura. 

Gostei muito da forma como J.M Darhower, a autora, construiu o relacionamento de Carmine e Haven. Não é aquela coisa água com açúcar e melosa o tempo inteiro, apesar de ser bem fofo. Além disso, Darhower escreveu um livro repleto de mensagens legais para levarmos para a nossa vida.

E aí, gostou da dica de hoje? Talvez eu não tenha sido tão profunda quanto gostaria de ter sido, mas acredito que deu para pegar um pouquinho da "belezura" que é este livro, não é? Não quis me demorar muito porque se eu escrevesse mais e mais acabaria soltando muito spoiler, pois a trama deste livro possui tantos segredos misturados nos diálogos, que você fica o tempo todo com aquela sensação de que algo muito ruim e grande está por vir, mesmo que a história pareça estar indo para um caminho feliz.

É isso aí!

Beijos :)

sábado, 4 de agosto de 2012

#Divagando | Ódio gratuito


Dando uma volta pelo site WeHeartIt.com para procurar por umas fotos bonitas, acabei me deparando com  a foto que ilustra este post. Apesar de eu não ser fã da Selena Gomez e achar que, para mim, ela não fede e nem cheira, achei de um extremo mau gosto o que fizeram nesta imagem, chamando a garota de prostituta, vagabunda, querendo que ela se mate ou, pior, ameaçando matá-la. Aí eu me pergunto: até onde vai esse ódio gratuito? E para quê tudo isso?

Se você não gosta de alguém e tem todos os maiores motivos para desprezar esta tal pessoa, não seria mais fácil ignorar e fingir que não existe? Porque, em minha concepção, alguém que eu não gosto é um nada, não faço a menor questão de sequer pronunciar seu nome. Ok, você pode até falar mal, mostrar as razões pelas quais você não gosta da pessoa, mas aí xingar e ofender alguém é um caminho muito complicado e totalmente errado. Ninguém merece receber ofensas gratuitas, feitas por aquelas pessoas que apenas têm o simples prazer de ofender.

Algumas pessoas acham que a internet é uma terra sem lei, que só porque elas estão atrás de um computador  isso significa que estão livres para falar o que bem entenderem sem antes se preocupar com as consequências e os sentimentos da pessoa ofendida. Eu acho triste a forma que as pessoas encontram para xingar gente que não conhece, porque, é claro, todas essas pessoas odiando gratuitamente a Selena não a conhecem pessoalmente, sequer sabem como ela é em sua vida particular.

Não gostar de uma pessoa é a coisa mais normal no mundo, as vezes não gostamos de alguém só por "não ir com a cara dela", mas há uma grande diferença entre não gostar e odiar - de um jeito que você passa mais tempo nutrindo aquele ódio e procurando saber da pessoa apenas para apontar erros, do que de fato ignorar.

O ponto crítico disso tudo não é só o sentimento ruim do ódio, mas até onde ele pode ir. Ameaçar alguém de morte é uma coisa muito séria. Se a pessoa não tiver um pequeno fio de sanidade, pode mesmo vir a querer matar de verdade. E se até um fã já matou seu ídolo (caso do John Lennon), um hater poderia facilmente fazer o mesmo.

Então vamos refletir e deixar para lá nossas "birras", sejam elas por pessoas que convivem conosco ou até mesmo com pessoas que não fazem ideia que existimos.

Beijos :)

P.S: Acho que vocês perceberam que fiquei mais de uma semana sem postar, não é? Eu não estava muito no clima, apesar de ter o que postar. Mas espero estar de volta com tudo, rs. Aproveitando a oportunidade, gostaria de agradecer pelos comentários do post anterior. Foram muitos e fiquei feliz. Vou retribuí-los aos poucos, assim que possível.