domingo, 6 de maio de 2012

#Livro | Derby Girl


Escrito por Shauna Cross, "Derby Girl" conta a estória de Bliss Cavendar, uma garota indie de 16 anos, excêntrica, irônica, cheia de personalidade e "boa demais" para morar na sua cidade natal. Ela não vê a hora de poder conseguir a independência e se mudar de Bordeen, cidadezinha no interior do Texas, onde, segundo ela, não há nada para fazer e as pessoas parecem ter parado no tempo. Esse grande marasmo da cidade faz uma ironia ao nome de Bliss que, se traduzido para o português, significa "felicidade plena" - e felicidade é a última coisa que ela tem no meio de tanto tédio.

Ela jura ter sido adotada, pois não consegue entender como pode ter nascido de pais tão "estranhos" e diferentes dela. Brooke, a mãe de Bliss, é uma mulher viciada em concursos de beleza e parece viver da glória de um dia ter se tornado Miss Bluebonnet (garota propaganda da fábrica de sorvete da cidade). Como virou uma tradição as mulheres da família terem um dia conseguido o posto de Miss, Brooke obriga Bliss a participar destes concursos, o que, é claro, não tem muitos rendimentos, já que a menina nunca se esforça para ganhar alguma coisa, diferentemente de Shania, irmã de Bliss, que adora ser paparicada com as frescurites de "mulherzinhas". Brooke é a clara visão daquelas mães que jogam suas frustrações nas filhas e não se importam com a opinião delas. E Carl, pai de Bliss, é um homem sem voz ativa dentro de casa, é o típico pai que parece fechar os olhos para os absurdos da esposa.

Todos na cidade de Bordeen são "certinhos" e seguem as "regras" do modo como elas têm que ser. Bliss é o oposto disso, é claro. A única pessoa que parece com ela é sua melhor amiga Pash Amini, uma árabe-americana estilosa, esperta, inteligente e com os hormônios explodindo, como toda adolescente nesta idade. As duas se completam perfeitamente e se não fossem "impopulares" (esse termo existe mesmo?), seriam o grande destaque da cidade pacata. 

Um dia, quando Bliss vai até Austin (capital do Texas) com sua mãe para fazer compras no shopping, ela pega um panfleto que informa sobre a apresentação da liga de Roller Derby da cidade. Mesmo sem saber muito sobre o esporte, esta parece ser a oportunidade certa para sair do tédio de Bordeen. E é então, desta forma, que Bliss entra no mundo das "derby girls" e finalmente consegue achar um grupo com o qual se identifica e a partir dele pode viver de suas próprias glórias, sem, é claro, antes de passar por muito sufoco e conhecer garotos irresistíveis. 

Para quem não sabe, já que não é muito conhecido, o Roller Derby é um esporte praticado apenas por garotas. Seria uma espécie de patinação, em que dois grupos se digladiam para mostrar resistência. É bem violento e bruto, tem que ter muita força de vontade e coragem para participar, porque além das regras um tanto complexas, o negócio não é fácil e nem para qualquer uma. Apesar da brutalidade, há um toque feminino, que pode ser visto nas roupas estilosas, na maquiagem e nos penteados das garotas. Eu acho muito interessante e adoro o visual das meninas que praticam, mas não me aventuraria a participar, eu sairia quebradinha, rs.

Capa do livro em inglês
O livro tem capítulos curtos e uma narrativa muito fácil de acompanhar, dá para ler num piscar de olhos. É até mesmo uma narração engraçada, parece que você consegue ouvir uma adolescente falar do seu lado. Shauna Cross conseguiu captar certinho o pensamento de uma garota de 16 anos, usando expressões que só uma garota dessa idade falaria. Não tem nada de rebuscamento na linguagem, tornando a leitura bem mais leve. E embora o livro grite do início ao fim ter sido feito diretamente para um público jovem, o que pode fazer com que muitas pessoas o rejeitem, eu ainda acredito que vale a leitura apenas por trazer as impressões sobre o Roller Derby, que mesmo sendo um esporte, traz consigo toda uma cultura e uma maneira de pensar - o que para mim é fascinante.

Logo no início da estória, os diálogos são curtos e bem corridos. Acredito que isso tem a ver com o fato de que a vida de Bliss, aquela altura, não era tão interessante a ponto de ter diálogos consistentes. Porém, mais lá para frente, à medida que a trama se desenvolve, os diálogos começam a aparecer com mais frequência e fazem um link com a vida já agitada de Bliss quando ela se envolve com as "derby girls".

O que diferencia "Derby Girl" de tantos outros livros feitos para jovens, é que a personagem principal, por si só, já é cativante. Ela não é mais uma adolescente que vive naquele mundinho cor-de-rosa repleto de grifes caras e de gente chata, Bliss se destaca por sua "rebeldia". E eu agradeço por isso.

Eu adorei a capa nacional do livro, mas ainda prefiro a capa norte-americana, porque faz ainda mais jus à personalidade de Bliss e do Roller Derby.

Para quem quer saber mais sobre a estória do livro, eu sugiro assistir a adaptação do mesmo para o cinema. O filme foi dirigido pela linda da Drew Barrymore e tem a Ellen Page (Juno) no papel de Bliss Cavendar. No Brasil o filme se chama "Garota Fantástica" (Whip It, em inglês) e foi bem adaptado, com algumas coisinhas diferentes, mas que no final acabam ficando irrelevantes se formos ver que nem sempre é possível adaptar com perfeição. Para mim, a diferença maior mesmo foi que, no filme, Bliss é um pouco parada em relação ao que ela é no livro. Mas, de uma forma geral, eu adorei o filme e o indico também.
Bem, então é isso. Espero que tenham gostado da dica de hoje!

Beijos :)



4 comentários:

  1. Muito boa dica! Às vezes a gente fica em dúvida se deve ou não comprar chick lits e esse livro realmente me parece ter muito potencial. Parabéns pelo post!

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    1. Oi, Bruna!

      Sou dessas que também vivo em dúvida sobre comprar chick lits, principalmente porque há inúmeros livros com o mesmo enredo. Confesso que só por este motivo eu já torço o nariz para este tipo de livro, mas, felizmente, há alguns que valem a pena ser lidos :)

      Bjins

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  2. Já faz bastante tempo que quero ler esse livro e essa foi a primeira resenha que li dele. Acho que vou passar esse livro na frente dos outros, fiquei com mais vontade ainda de lê-lo depois de ler sua resenha.
    O filme vive passando no canal boomerang, mas acredita que eu nunca consigo assistir até o fim? Chega a dar raiva hahahah
    E esse é um esporte que eu não praticaria, sairia desmontada, aposto! hahahah

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    1. Oi, Raquel!

      Eu assisti ao filme recentemente e, assim como você, também não conseguia acompanhá-lo quando passava, rs. Só consegui assistir desta vez porque já era madrugada e não tinha ninguém para "dividir" a televisão comigo, haha.

      Pois é, acho que na primeira oportunidade que eu fosse praticar o roller derby, eu já sairia toda quebrada, hahaha. Tem que ter coragem, senão não funciona.

      Bjins

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